Por que você não cala sua boca, Lula?
Por meio do youtube, o ocorrido durante a 17ª Conferência da Cúpula Ibero-Americana correu o mundo: Hugo Chavez não deixava o primeiro ministro espanhol falar, interrompendo-o a todo instante. O até então discretíssimo rei Juan Carlos I, tomado da fúria dos justos, passou-lhe um pito público – “Por que não te calas?”. O representante da Ditadura de Bananas assustou-se. Logo em seguida, entretanto, lembrou que tinha levado sua claque particular – o terrorista Daniel Ortega e o índio ladrão Evo Morales e, novamente cheio de coragem, retomou os xingamentos...
A anta de Garanhuns – e olha que sou de lá – e aprendiz do feiticeiro venezuelano, balbuciando algo parecido com a língua portuguesa, saiu logo em defesa do ídolo: "Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa, inventam uma coisa para criticar agora; por falta de democracia na Venezuela, não é".
Sei que é difícil traduzir o que vai pela cabeça da anta, mas creio que ela está tentando dizer que a Venezuela é um paraíso democrático. Ao presidente de Guiné-Bissau, João Bernardo Nino Vieira, Lula confidenciou que "Democracia é assim: a gente submete aquilo que acredita, o povo decide e a gente acata o resultado. Se não, não é democracia", disse, acrescentando ainda que na Venezuela, ressaltou, já houve três referendos, três eleições e quatro plebiscitos.
Nunca é demais lembrar que Hitler foi eleito. Aclamações também não faltaram a Mussolini, Stálin, Ho Chi Mim, Mao Tse-Tung e Fidel Castro. O povo, também, preferiu Barrabás... Nada contra a soberania do sufrágio universal, mas a democracia é tão frágil que pode ser usada, inclusive, para destruir a democracia. E causa preocupação ver os olhos brilhantes da anta, observando as manobras totalitárias do seu mestre Chàvez, como a antecipar um sucesso que também deseja pra si.
Ela, a anta, não quer perceber que democracia não é a quantidade de eleições que se faz, antes, é a garantia da efetiva possibilidade da mudança do governante. A urna é o final de um caminho que começa com uma imprensa desamarrada e uma oposição atuante. Debate de idéias e respeito à legalidade constitucional. E, muito principalmente, como dito antes, respeito ao princípio de alternância do poder.
Nada disso é caro ao Chàvez. Nada disso é caro ao PT. Então, antes que durmamos numa democracia e acordemos em uma ditadura, alguém tem que, urgentemente, como o rei Juan Carlos, gritar: “Por que você não cala sua boca, anta?”
Monday, November 19, 2007
Monday, October 15, 2007
Santa Tereza D'Ávila e Maria
Não entendo por que ninguém fala em Maria... De todas as resenhas que li do “Tropa de Elite”, uma sequer, toca no seu nominho que, nela, não é tão santo. Maria lê Foucault – quando o professor manda - e, o filme não mostra, mas adornando sua estante estão Simone de Beauvoir, Leonardo Boff e Marx. Não tem tido muito tempo pra eles, afinal os artigos de “Nova” sobre “Como fazer seu homem dar o prazer que você merece” e outros bem parecidos, são sua prioridade, embora ela negue.
Ao lado estão os cd´s. A coleção “vozes do mundo”, Enya, Bob Marley e Manu Chau. Atrás deles e – curiosamente - próximo ao Bhagavad-Gita, o potinho de erva. Na parede, sob uma faixa do Greenpeace, o retrato de Che, rodeado dos bichinhos de pelúcia da Disney, fica um pouco mais patético. O guarda-roupa, hippie de boutique. As mensalidades do seu curso de Direito, em uma das melhores Universidades do Rio de Janeiro, são pagas com o dinheiro capitalista sujo do pai, que também subsidia sua rebeldia revolucionária festiva.
Deve-se desconfiar, até, de seu amor pelo aspirante Matias. Afinal, os grupos de “ações afirmativas” cultivam com carinho a mitologia jornalística que lhes dá o pão de cada dia: do negro oprimido por nossa sociedade racista. Assim, nada melhor para Maria que namorar um afro-brasileiro-negão para demonstrar sua solidariedade inter-racial, não é mesmo?
Maria, claro, não quer ser apenas mais um rostinho bonito. Quer se olhar no espelho e ver uma alma bela, mesmo o corpo vestindo – talvez envergonhadamente – um Daslu. Então, cheia de boas intenções, vai trabalhar pra uma Ong em pleno morro, aceitando a chefia do tráfico e financiado com seu tempo e nariz a moral enviesada do esquerdismo bandido. Roubar, traficar, matar? “Pobre pode tudo” em nome da “justiça social”. Maria quis esquecer, propositalmente, que honestidade e vergonha na cara independem de classe social.
Muitas Marias, burguesas néscias como todas Marias, foram assistir ao “Tropa de Elite”. Esquizofrênicas, não se viram no espelho. A amiga de Maria, depois de puxar um baseado, tem a trepadinha – na sala da Ong – interrompida por um marginal que vai matá-la. Bem merecido! Poucas vezes foi tão verdadeiro, quanto no filme, que “a estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções”. E muita burrice!
Não entendo por que ninguém fala em Maria... De todas as resenhas que li do “Tropa de Elite”, uma sequer, toca no seu nominho que, nela, não é tão santo. Maria lê Foucault – quando o professor manda - e, o filme não mostra, mas adornando sua estante estão Simone de Beauvoir, Leonardo Boff e Marx. Não tem tido muito tempo pra eles, afinal os artigos de “Nova” sobre “Como fazer seu homem dar o prazer que você merece” e outros bem parecidos, são sua prioridade, embora ela negue.
Ao lado estão os cd´s. A coleção “vozes do mundo”, Enya, Bob Marley e Manu Chau. Atrás deles e – curiosamente - próximo ao Bhagavad-Gita, o potinho de erva. Na parede, sob uma faixa do Greenpeace, o retrato de Che, rodeado dos bichinhos de pelúcia da Disney, fica um pouco mais patético. O guarda-roupa, hippie de boutique. As mensalidades do seu curso de Direito, em uma das melhores Universidades do Rio de Janeiro, são pagas com o dinheiro capitalista sujo do pai, que também subsidia sua rebeldia revolucionária festiva.
Deve-se desconfiar, até, de seu amor pelo aspirante Matias. Afinal, os grupos de “ações afirmativas” cultivam com carinho a mitologia jornalística que lhes dá o pão de cada dia: do negro oprimido por nossa sociedade racista. Assim, nada melhor para Maria que namorar um afro-brasileiro-negão para demonstrar sua solidariedade inter-racial, não é mesmo?
Maria, claro, não quer ser apenas mais um rostinho bonito. Quer se olhar no espelho e ver uma alma bela, mesmo o corpo vestindo – talvez envergonhadamente – um Daslu. Então, cheia de boas intenções, vai trabalhar pra uma Ong em pleno morro, aceitando a chefia do tráfico e financiado com seu tempo e nariz a moral enviesada do esquerdismo bandido. Roubar, traficar, matar? “Pobre pode tudo” em nome da “justiça social”. Maria quis esquecer, propositalmente, que honestidade e vergonha na cara independem de classe social.
Muitas Marias, burguesas néscias como todas Marias, foram assistir ao “Tropa de Elite”. Esquizofrênicas, não se viram no espelho. A amiga de Maria, depois de puxar um baseado, tem a trepadinha – na sala da Ong – interrompida por um marginal que vai matá-la. Bem merecido! Poucas vezes foi tão verdadeiro, quanto no filme, que “a estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções”. E muita burrice!
Thursday, September 21, 2006
FREUD É PETISTA!
Freud é filiado ao Pt! Valdebran também. É impressionante que em todo escândalo que se traduz por um assalto ao meu e ao seu suado dinheirinho, a mão boba do PT, como Deus, esteja onipresente. E é mais impressionante que a massa não tão desinformada, mas tão cheia de boas intenções quanto cega (porque quer – e o pior cego...), descompromissada e burra, continue votando “naquele que não sabe de nada”!
Na mais recente novela patrocinada pelos corruPTos, Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso, e Gedimar Pereira Passos foram interceptados carregando um milhão e setecentos mil reais para a compra de um dossiê contra os tucanos Serra e Alckmin. – É claro que os corruPTos teriam que tentar barrar a inexorável vitória da candidatura do PSDB, vale dizer do Serra, no maior estado de federação.- Em depoimento à Polícia Federal, Gedimar apontou Freud como o responsável pela operação. Arraias miúdas da fauna petista, foram presos.
Freud Godoy, que é do quadro da Secretaria Particular da Presidência, como assessor especial – e tome especial nisso - direto do presidente da república dos bocós, está livre como um mensaleiro candidato à reeleição. Em telefonema ao Lulalá, pediu que fosse dispensado do cargo, “aquele que não sabe de nada” foi rapidinho em aceitar que o abacaxi fosse descascado em outro lugar, por outro alguém!
Paulo Mercadante, aspirante, pelo PT, ao governo de São Paulo, e bom aluno, prontamente seguiu a lição do mestre Lulalá ao demitir, com desesperada ligeireza, o coordenador de comunicação da sua campanha, Hamilton Lacerda, que estava envolvido no imbróglio.
E, como sempre, nada poderia ter sido levado a cabo sem a prestimoniosa colaboração das estatais do PT. É claro que o diretor do Banco do Brasil, Expedito Afonso Veloso, um dos responsáveis pela montagem e divulgação do dossiê, insiste que a instituição a qual pertence não tem nada a ver com suas atividades particulares. Nem o fato dele ter sido indicado ao cargo de diretor pelo PT...
Mas, aposto, o povo vira-latas deste país idem, vai continuar dando provas de incomum estupidez, se recusando constatar os fatos mais gritantes. Preferindo sempre exercícios de animalidade explícita como samba e futebol, acredita que a culpa do que quer que seja, é, – sempre - “dazelite”. Assim, esquece que a Caixa Econômica, Banco do Brasil, Petrobrás, Furnas, entre outras, são estatais que sempre estão envolvidas em escândalos petistas, na malversação do dinheiro público. Esquece a singela obviedade de que não se faz suborno sem dinheiro. E continua sendo contra a privatização. E continua votando no Lulalá...
Freud é filiado ao Pt! Valdebran também. É impressionante que em todo escândalo que se traduz por um assalto ao meu e ao seu suado dinheirinho, a mão boba do PT, como Deus, esteja onipresente. E é mais impressionante que a massa não tão desinformada, mas tão cheia de boas intenções quanto cega (porque quer – e o pior cego...), descompromissada e burra, continue votando “naquele que não sabe de nada”!
Na mais recente novela patrocinada pelos corruPTos, Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso, e Gedimar Pereira Passos foram interceptados carregando um milhão e setecentos mil reais para a compra de um dossiê contra os tucanos Serra e Alckmin. – É claro que os corruPTos teriam que tentar barrar a inexorável vitória da candidatura do PSDB, vale dizer do Serra, no maior estado de federação.- Em depoimento à Polícia Federal, Gedimar apontou Freud como o responsável pela operação. Arraias miúdas da fauna petista, foram presos.
Freud Godoy, que é do quadro da Secretaria Particular da Presidência, como assessor especial – e tome especial nisso - direto do presidente da república dos bocós, está livre como um mensaleiro candidato à reeleição. Em telefonema ao Lulalá, pediu que fosse dispensado do cargo, “aquele que não sabe de nada” foi rapidinho em aceitar que o abacaxi fosse descascado em outro lugar, por outro alguém!
Paulo Mercadante, aspirante, pelo PT, ao governo de São Paulo, e bom aluno, prontamente seguiu a lição do mestre Lulalá ao demitir, com desesperada ligeireza, o coordenador de comunicação da sua campanha, Hamilton Lacerda, que estava envolvido no imbróglio.
E, como sempre, nada poderia ter sido levado a cabo sem a prestimoniosa colaboração das estatais do PT. É claro que o diretor do Banco do Brasil, Expedito Afonso Veloso, um dos responsáveis pela montagem e divulgação do dossiê, insiste que a instituição a qual pertence não tem nada a ver com suas atividades particulares. Nem o fato dele ter sido indicado ao cargo de diretor pelo PT...
Mas, aposto, o povo vira-latas deste país idem, vai continuar dando provas de incomum estupidez, se recusando constatar os fatos mais gritantes. Preferindo sempre exercícios de animalidade explícita como samba e futebol, acredita que a culpa do que quer que seja, é, – sempre - “dazelite”. Assim, esquece que a Caixa Econômica, Banco do Brasil, Petrobrás, Furnas, entre outras, são estatais que sempre estão envolvidas em escândalos petistas, na malversação do dinheiro público. Esquece a singela obviedade de que não se faz suborno sem dinheiro. E continua sendo contra a privatização. E continua votando no Lulalá...
Sunday, February 19, 2006
TERGIVERSANDO
Já disse em algum lugar que adjetivos e, muito principalmente, sua versão menos elegante e mais divertida – o xingamento -, pode ser mero palavreado vazio ou uma acurada descrição da realidade. Se alguém diz que sou um “filho da p...”, isso pode ser uma demonstração de que meu interlocutor está muito nervosinho e prestes a ter um treco ou uma verdade de fato. Parece que é o caso de André Petry, colunista desse folhetim esquerdista que é a revista “Veja”. Não que sua (dele,lá) mãe seja uma trabalhadora de uma das mais antigas profissões, mas acusando-o de desonesto intelectual ou mal-caráter confesso, cobro a mim mesmo o ônus da prova.
É que no seu artigo (dele, lá) o filho da mãe pretende demonstrar que a campanha do presidente – aquele que comemora um mês de abstinência alcoolquímica – não é a mesma; que a propaganda não é a mesma; que o partido não é o mesmo; que a esquerda não é a mesma; e, fantástico!, o candidato não é o mesmo (sic.)!!! Sendo assim, seu (de Lula, lá) recente bom resultado nas pesquisas deve ser encarado como uma generosa renovação (!) de um voto de confiança (sic.) Segundo este “sábio da Veja”, não cabe mais falar em “reeleição”, já que tudo renascido pela água e pelo espírito, novinho em folha, comemora-se agora a possibilidade da “eleição” (sic.) do supremo apedeuta. Então pergunto: seu (do Petry, lá) grande argumento é que o petismo está “novo” e dignificado tão-somente pelo critério da novidade, merece, agora, nossa atenção? Esqueçamos, então, a maior e mais bem documentada roubalheira que este país já presenciou! Todos mensalões, mensalinhos, cuecões, Land-Rovers, caixas-dois, valeriodutos, Dudas e por aí se vai...
Esse babaca do Petry pensa mesmo que a gente é tão burro assim, pra acreditar na “novidade”? Que os petistas estão miraculosamente redimidos e convertidos à vontade do Senhor? Ou, esquizofrênico e confundido seus desejos com a realidade, escreve qualquer porcaria, confiado que a “Veja” não pede atestado de sanidade mental aos seus empregados nem lê seus (deles, lá) textos?
Não se enganem, a esquerda usa o canto de sereia da boa vontade para nos conduzir ao inferno, e a ela própria ao paraíso dos cofres das estatais. É que ainda não se atinou para a importância que a filosofia, consciente ou inconsciente abraçada por revolucionários de todos matizes, traz para sua prática. Estude-se com cuidado seu pensamento e se verá que, inexoravelmente, a esquerda leva ao abismo moral e econômico.
Nunca tantas ONG´s, ONUs, USAID´s, governos diversos, cantores e atrizes estiveram tão preocupados com o problema da fome no mundo. Exceção à minha pessoa, sei que beleza e inteligência insistem em seu divórcio. Entretanto, a despeito de sua culpa social burguesa que lhe faz tão charmosa, não recusaria à Angelina Jolie, um lugar na mesa de negociações. No meu colo, preferencialmente. Assim, apesar dos 2,3 trilhões de dólares gastos nos últimos 50 anos[1], os projetos do tipo “Fome Zero” teimam em não funcionar. É que é preciso ser gênio pra perceber o óbvio: sobras não ajudam, economia crescendo, ajuda. Desde os anos 90 a China apresenta crescimento médio anual de 11% do PIB, o que fez reduzir a pobreza, naquele país, em 35%. No Chile, o índice de 6% ao ano, em média, diminuiu a quantidade de pobres em 50%. Já Lula lá, prefere os trocadinhos africanos à dinheirama americana. E quem se lasca somos nós!
Falei do abismo econômico, o Moral fica pra quando eu parar de pensar na boca da Angelina...
[1] Revista EXAME; edição 860; 1º de fevereiro de 2006; Abril; pág. 92.
Já disse em algum lugar que adjetivos e, muito principalmente, sua versão menos elegante e mais divertida – o xingamento -, pode ser mero palavreado vazio ou uma acurada descrição da realidade. Se alguém diz que sou um “filho da p...”, isso pode ser uma demonstração de que meu interlocutor está muito nervosinho e prestes a ter um treco ou uma verdade de fato. Parece que é o caso de André Petry, colunista desse folhetim esquerdista que é a revista “Veja”. Não que sua (dele,lá) mãe seja uma trabalhadora de uma das mais antigas profissões, mas acusando-o de desonesto intelectual ou mal-caráter confesso, cobro a mim mesmo o ônus da prova.
É que no seu artigo (dele, lá) o filho da mãe pretende demonstrar que a campanha do presidente – aquele que comemora um mês de abstinência alcoolquímica – não é a mesma; que a propaganda não é a mesma; que o partido não é o mesmo; que a esquerda não é a mesma; e, fantástico!, o candidato não é o mesmo (sic.)!!! Sendo assim, seu (de Lula, lá) recente bom resultado nas pesquisas deve ser encarado como uma generosa renovação (!) de um voto de confiança (sic.) Segundo este “sábio da Veja”, não cabe mais falar em “reeleição”, já que tudo renascido pela água e pelo espírito, novinho em folha, comemora-se agora a possibilidade da “eleição” (sic.) do supremo apedeuta. Então pergunto: seu (do Petry, lá) grande argumento é que o petismo está “novo” e dignificado tão-somente pelo critério da novidade, merece, agora, nossa atenção? Esqueçamos, então, a maior e mais bem documentada roubalheira que este país já presenciou! Todos mensalões, mensalinhos, cuecões, Land-Rovers, caixas-dois, valeriodutos, Dudas e por aí se vai...
Esse babaca do Petry pensa mesmo que a gente é tão burro assim, pra acreditar na “novidade”? Que os petistas estão miraculosamente redimidos e convertidos à vontade do Senhor? Ou, esquizofrênico e confundido seus desejos com a realidade, escreve qualquer porcaria, confiado que a “Veja” não pede atestado de sanidade mental aos seus empregados nem lê seus (deles, lá) textos?
Não se enganem, a esquerda usa o canto de sereia da boa vontade para nos conduzir ao inferno, e a ela própria ao paraíso dos cofres das estatais. É que ainda não se atinou para a importância que a filosofia, consciente ou inconsciente abraçada por revolucionários de todos matizes, traz para sua prática. Estude-se com cuidado seu pensamento e se verá que, inexoravelmente, a esquerda leva ao abismo moral e econômico.
Nunca tantas ONG´s, ONUs, USAID´s, governos diversos, cantores e atrizes estiveram tão preocupados com o problema da fome no mundo. Exceção à minha pessoa, sei que beleza e inteligência insistem em seu divórcio. Entretanto, a despeito de sua culpa social burguesa que lhe faz tão charmosa, não recusaria à Angelina Jolie, um lugar na mesa de negociações. No meu colo, preferencialmente. Assim, apesar dos 2,3 trilhões de dólares gastos nos últimos 50 anos[1], os projetos do tipo “Fome Zero” teimam em não funcionar. É que é preciso ser gênio pra perceber o óbvio: sobras não ajudam, economia crescendo, ajuda. Desde os anos 90 a China apresenta crescimento médio anual de 11% do PIB, o que fez reduzir a pobreza, naquele país, em 35%. No Chile, o índice de 6% ao ano, em média, diminuiu a quantidade de pobres em 50%. Já Lula lá, prefere os trocadinhos africanos à dinheirama americana. E quem se lasca somos nós!
Falei do abismo econômico, o Moral fica pra quando eu parar de pensar na boca da Angelina...
[1] Revista EXAME; edição 860; 1º de fevereiro de 2006; Abril; pág. 92.
Sunday, January 29, 2006
GÊNESE DE UM ESQUERDISTA II: A PUBERDADE
Ser burro é um direito de poucos. Desconfio que haja uma parcela bem pequena, em toda a humanidade, de pessoas com uma verdadeira deficiência cognitiva, ou um problema cerebral realmente comprometedor. O que na verdade existe é preguiça! E muita! Se o sujeitinho ouviu que “o rico fica cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre”, toma a frase por verdade auto-evidente e daí pra virar militante petista, como trair e coçar, é só começar.
Ele não se dará ao trabalho de investigar se a estória é mesmo assim. Pra quê? Se o professor já falou e os amiguinhos confirmaram. Pra que dar trabalho aos neurônios, se podem ter melhor uso discutindo o resultado da partida futebolística de Catuxoba do Norte x Paradunçava de Fora?
Pensar é um esforço de coragem! Implica muitas horas subtraídas à mesa do bar, disposição para a impopularidade, sinceridade e determinação para a suprema iconoclastia: apontar os pés de barro do ídolo socialista. Afinal toda a grande imprensa, universidades e Igreja, por mais que o PT queira fazer pensar diferente, são unânimes – a voz de Marx é a voz de Deus; e ai do pobre coitado que ousar enfrentar tais forças, será apontado como pária por todos e em todo lugar, afinal, ele não tem o pedigree socialista, não é mesmo?
Na verdade, os petistas e congêneres, desde o início, têm uma grande vantagem, seus argumentos tão emocionais quanto tolos, são dispensados de qualquer verificação na realidade: se os fatos não se explicam pela teoria (socialista), danem-se eles! O que vale é o desejo do paraíso terreno, onde os irmãos se abraçarão fraternalmente, enlevados por uma música celestial, enquanto os passarinhos catam nas matas verdejantes por sob o agradabilíssimo sol tropical. Onde compro a passagem? Eu também quero!
Porém ninguém olha que se nos livros de história, a condição do trabalhador que, de sol a sol, praticamente sem feriado ou diversão ganhava o mínimo para seu sustento, hoje, o capitalismo – esse grande injustiçado - põe uma televisão e celular em cada barraco de favela. Gordo, o proletariado nacional, segundo dados do próprio IBGE do governo Lula, reclama do estado o vale-motel. E por aí se vai...
O problema com o Brasil é que ele não deixa o Liberalismo fazer o seu trabalho. Enganado, o povo, o mesmo que elegeu Barrabás, ainda acredita, bobamente, que o desacerto é capitalismo demais. Não é. A tolice, em terras tupiniquins, é capitalismo de menos, como já avisava o saudoso e vidente Mário Covas: “O Brasil precisa de um choque de capitalismo”.
O PT, e os “piçóis”, querem mais estado. Estado com controle da economia é o sonho dourado de todo socialista. Sob a desculpa de criar uma sociedade mais justa, se financia, com o dinheiro da Nação, os projetos políticos de um grupo e, mais especificamente, de alguns sórdidos indivíduos. Então, deixe-se de ser imbecil – falar contra privatizações, por exemplo, é ser cúmplice de um atentado ao cidadão, como veremos no desenvolvimento deste texto.
O relatório parcial da CPI dos Correios (http://www.camara.gov.br/internet/agencia/materias.asp?pk=78624&pesq=relatóriocpicorreios) foi assim resumido, em uma entrevista, pelo seu relator, Osmar Serraglio: “Há dinheiro público no valerioduto. Ele veio de uma estatal, o Banco do Brasil, e foi colocado nas mãos de um partido”.
A revista “Veja”, edição 1937, afirma: “O relatório de Serraglio afirma que o pagamento de propina a deputados da base aliada, em troca de votos para o governo, não só existiu – inclusive na forma de semanão, semestrão ou parcelão único – como trouxe consigo uma coleção de crimes destinados a viabilizá-lo. Entre eles: licitações dirigidas, uso de notas frias e tráfico de influência.” Que bonito, não? Pra cometer um crime, vários outros são praticados. De fato, o texto produzido pelo relator, comenta a desculpa esfarrapada que “justifica” o desvio de dinheiro como sendo empréstimos: “Qual a lógica de uma empresa de publicidade tomar emprestado dinheiro no sistema bancário, com juros elevados, e emprestá-lo a um partido político, sem prazo de pagamento nem definição do seu percentual de remuneração?”
Não sei se morra de rir ou se pule, com toda a raiva, em cima do pescoço do sujeito que, copiando o supremo apedeuta - Lula -, afirma com toda convicção, até indignado, de que “não há provas”. Ora, a CPI, com a ajuda da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público, cruzou dados de declarações de renda, extratos bancários, contas de telefone, contratos de estatais e empresas públicas, e depoimentos, e o fdp, junto com seu presidente, vem me falar de que não há provas? Ah, vá procurar sua turma!
Em um Estado mínimo, a intervenção do governo e, muito consequentemente, seu poder, é também mínimo. Ora, isso é tudo que o PT-Piçol não quer; Estado grande significa poder e influência em várias esferas econômicas e políticas. Mauricio Marinho, aquele funcionário dos Correios que explicou direitinho como funciona o esquema e iniciou, inadvertidamente, o desmascaramento do PT-Piçol, mostrou que as estatais impõem aos seus fornecedores “doações” compulsórias para o financiamento de campanhas petistas: “Quantos candidatos vamos ter ao Senado, a deputado federal? O que vamos dar a cada um? O que compete aos Correios, à Infraero, à Eletronorte, à Petrobras, entendeu?” (grifo nosso em matéria da “Veja”, edição 1937).
E falando em Petrobrás, vocês viram que bonitinho o patrocínio da empresa do “Petróleo é do PT” ao MST? O rico dinheirinho de nossos impostos, que falta para comprar remédio nos hospitais e pra pagar o miserável salário dos professores, abunda (eita!) quando se trata de financiar a baderna festiva da invasão da propriedade alheia. E não é que a estatal pagou anúncios na revista dos Sem-Terra, enchendo os bolsos daqueles criminosos, bastião do movimento esquerdista? (Veja; edição 1939).
Acreditar no movimento socialista... Ninguém tem o direito de ser tão burro!
Ser burro é um direito de poucos. Desconfio que haja uma parcela bem pequena, em toda a humanidade, de pessoas com uma verdadeira deficiência cognitiva, ou um problema cerebral realmente comprometedor. O que na verdade existe é preguiça! E muita! Se o sujeitinho ouviu que “o rico fica cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre”, toma a frase por verdade auto-evidente e daí pra virar militante petista, como trair e coçar, é só começar.
Ele não se dará ao trabalho de investigar se a estória é mesmo assim. Pra quê? Se o professor já falou e os amiguinhos confirmaram. Pra que dar trabalho aos neurônios, se podem ter melhor uso discutindo o resultado da partida futebolística de Catuxoba do Norte x Paradunçava de Fora?
Pensar é um esforço de coragem! Implica muitas horas subtraídas à mesa do bar, disposição para a impopularidade, sinceridade e determinação para a suprema iconoclastia: apontar os pés de barro do ídolo socialista. Afinal toda a grande imprensa, universidades e Igreja, por mais que o PT queira fazer pensar diferente, são unânimes – a voz de Marx é a voz de Deus; e ai do pobre coitado que ousar enfrentar tais forças, será apontado como pária por todos e em todo lugar, afinal, ele não tem o pedigree socialista, não é mesmo?
Na verdade, os petistas e congêneres, desde o início, têm uma grande vantagem, seus argumentos tão emocionais quanto tolos, são dispensados de qualquer verificação na realidade: se os fatos não se explicam pela teoria (socialista), danem-se eles! O que vale é o desejo do paraíso terreno, onde os irmãos se abraçarão fraternalmente, enlevados por uma música celestial, enquanto os passarinhos catam nas matas verdejantes por sob o agradabilíssimo sol tropical. Onde compro a passagem? Eu também quero!
Porém ninguém olha que se nos livros de história, a condição do trabalhador que, de sol a sol, praticamente sem feriado ou diversão ganhava o mínimo para seu sustento, hoje, o capitalismo – esse grande injustiçado - põe uma televisão e celular em cada barraco de favela. Gordo, o proletariado nacional, segundo dados do próprio IBGE do governo Lula, reclama do estado o vale-motel. E por aí se vai...
O problema com o Brasil é que ele não deixa o Liberalismo fazer o seu trabalho. Enganado, o povo, o mesmo que elegeu Barrabás, ainda acredita, bobamente, que o desacerto é capitalismo demais. Não é. A tolice, em terras tupiniquins, é capitalismo de menos, como já avisava o saudoso e vidente Mário Covas: “O Brasil precisa de um choque de capitalismo”.
O PT, e os “piçóis”, querem mais estado. Estado com controle da economia é o sonho dourado de todo socialista. Sob a desculpa de criar uma sociedade mais justa, se financia, com o dinheiro da Nação, os projetos políticos de um grupo e, mais especificamente, de alguns sórdidos indivíduos. Então, deixe-se de ser imbecil – falar contra privatizações, por exemplo, é ser cúmplice de um atentado ao cidadão, como veremos no desenvolvimento deste texto.
O relatório parcial da CPI dos Correios (http://www.camara.gov.br/internet/agencia/materias.asp?pk=78624&pesq=relatóriocpicorreios) foi assim resumido, em uma entrevista, pelo seu relator, Osmar Serraglio: “Há dinheiro público no valerioduto. Ele veio de uma estatal, o Banco do Brasil, e foi colocado nas mãos de um partido”.
A revista “Veja”, edição 1937, afirma: “O relatório de Serraglio afirma que o pagamento de propina a deputados da base aliada, em troca de votos para o governo, não só existiu – inclusive na forma de semanão, semestrão ou parcelão único – como trouxe consigo uma coleção de crimes destinados a viabilizá-lo. Entre eles: licitações dirigidas, uso de notas frias e tráfico de influência.” Que bonito, não? Pra cometer um crime, vários outros são praticados. De fato, o texto produzido pelo relator, comenta a desculpa esfarrapada que “justifica” o desvio de dinheiro como sendo empréstimos: “Qual a lógica de uma empresa de publicidade tomar emprestado dinheiro no sistema bancário, com juros elevados, e emprestá-lo a um partido político, sem prazo de pagamento nem definição do seu percentual de remuneração?”
Não sei se morra de rir ou se pule, com toda a raiva, em cima do pescoço do sujeito que, copiando o supremo apedeuta - Lula -, afirma com toda convicção, até indignado, de que “não há provas”. Ora, a CPI, com a ajuda da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público, cruzou dados de declarações de renda, extratos bancários, contas de telefone, contratos de estatais e empresas públicas, e depoimentos, e o fdp, junto com seu presidente, vem me falar de que não há provas? Ah, vá procurar sua turma!
Em um Estado mínimo, a intervenção do governo e, muito consequentemente, seu poder, é também mínimo. Ora, isso é tudo que o PT-Piçol não quer; Estado grande significa poder e influência em várias esferas econômicas e políticas. Mauricio Marinho, aquele funcionário dos Correios que explicou direitinho como funciona o esquema e iniciou, inadvertidamente, o desmascaramento do PT-Piçol, mostrou que as estatais impõem aos seus fornecedores “doações” compulsórias para o financiamento de campanhas petistas: “Quantos candidatos vamos ter ao Senado, a deputado federal? O que vamos dar a cada um? O que compete aos Correios, à Infraero, à Eletronorte, à Petrobras, entendeu?” (grifo nosso em matéria da “Veja”, edição 1937).
E falando em Petrobrás, vocês viram que bonitinho o patrocínio da empresa do “Petróleo é do PT” ao MST? O rico dinheirinho de nossos impostos, que falta para comprar remédio nos hospitais e pra pagar o miserável salário dos professores, abunda (eita!) quando se trata de financiar a baderna festiva da invasão da propriedade alheia. E não é que a estatal pagou anúncios na revista dos Sem-Terra, enchendo os bolsos daqueles criminosos, bastião do movimento esquerdista? (Veja; edição 1939).
Acreditar no movimento socialista... Ninguém tem o direito de ser tão burro!
Saturday, January 07, 2006
GÊNESE DE UM ESQUERDISTA
Eu sempre quis saber se existe um gene petista, ou esquerdista, dormente em cada um, somente à espera da situação ideal que irá despertá-lo, tal como um semi-analfabeto candidatando-se à presidência da república, por exemplo. Senão, como explicar o populacho que foi em procissão à Brasília, reverenciar o messias que o levaria à nova Canaã, a um tempo de paz e prosperidade jamais vistas?
Após longa pesquisa teórica e de campo, entrevistei patricinhas e mauricinhos que, obedecendo a seu ancestral instinto gregário, reúnem-se, os mais pacíficos, em rodinhas de violão, e os mais agressivos, participam sempre de intimidantes grupos maiores, com os rostos pintados para a batalha quando, ao som de Elba Ramalho, Wanessa Camargo e Leonardo, prometem, com toda a força de seus pulmões, “mudar a situação que aí está”. Com oportunidade de acasalamento em toda esquina, e chapados de álcool e fumo, dão a este evento dionisíaco o nome de “comício”; pretendem, também, que se reconheça na festa, o caráter de protesto social, o que achei um tanto contraditório...
São facilmente identificáveis os fatores pelos quais a burguesada vota no PT e congêneres. À primeira vista, soa estranho que os quase e os bem-nascidos, teoricamente propensos a manter o status quo que em tese os beneficiaria, votem contra sua própria classe social. Mas é preciso daquela fé cega que os levou e ao seu profeta ao Planalto, e uma burrice ímpar, para acreditar no conceito marxista de “luta de classes”. Afinal, como disse alguém, “socialismo é um sistema que só funciona no Céu, onde não se precisa dele, e no Inferno, onde ele já existe”.
O primeiro destes fatores é uma religiosidade tosca (!). Explico-me. O fulano cansou da boa e velha virtude da caridade. Acha ela muito morosa e ineficaz. Desistiu de ajudar pessoalmente, um a um, os carentes que se lhe aparecem e, ingênuo e impaciente, toma para si a tarefa de reformar a sociedade em benefício dos pobres e necessitados, assim poderia ajudar a todos de uma vez só. Crente, crê estar fazendo a vontade de Deus; ateu, acredita-se a própria divindade.
O segundo é a burrice. Que tanto pode ser uma cegueira intelectual patológica como uma preguiça mental dos diabos. Uma pergunta, simplesmente não é feita pelos que se contentam com as respostas da mídia e academia que são, todas elas, salvo honrosas e raras exceções, esquerdistas – Que faz os países ricos serem ricos e os pobres serem pobres? A coragem de se fazer e estudar esta questão, admitindo as conseqüências de suas respostas é o que se traduz por honestidade intelectual, que implicará em uma firme tomada de posição política perante a situação em que se encontra nosso país e o mundo todo.
O ser humano não é essencialmente bom, apesar do que afirmam os mais inocentes. Engenharia social alguma mudará isso, no máximo, como já acontece, sob o pretexto de garantir a tal da “igualdade social”, criará outras classes de privilegiados. Pena que bem poucos atentem para o fato que o “politicamente correto” já está criando instituições que atribuem injustas vantagens a alguns, como o regime de cotas raciais, por exemplo. Se o próprio IBGE já constatou que a proporção entre a população se repete nas universidades, então se entende que o falso problema foi criado por Lula e Ong´s do tipo “Fala Preta” para justificar, no final das contas, os muitos benefícios que, com toda certeza, ainda irão exigir, e, não esqueçamos, o dinheiro que recebem.
Que os países capitalistas deram certo e os socialistas afundaram, já é óbvio. Entretanto, isso não é garantia de que não vão fazer experiências econômicas às nossas custas. Pra quem não se recorda, o nosso país já foi mais socialista do que agora – lembram-se do Plano Cruzado e seu tabelamento de preços? Resultado: prateleiras de mercadorias vazias. O capitalismo, lastreado em seu axioma fundamental de liberdade de trocas econômicas e de pensamento, segue sendo o meio mais eficaz de produção e distribuição de riqueza. De memória muito curta, o povo esquece da era pré-Collor, antes da abertura, onde nossos carros eram carroças e os produtos nacionais, caros e sem qualidade, não tinham a concorrência dos importados, sendo a economia controlada pelo estado. Hoje, apesar da ex-terrorista Ministra das Comunicações, telefone é barato; perguntem aos seus pais quanto custava uma linha e quanto tempo demorava até sua instalação...
P.S.: Coincidentemente, vejo na TV, Fernanda Tavares, que só poderia ser modelo, como um belo exemplo daquela classe média com um bocó complexo de culpa social, chorar horrorizada, o que para ela deve ser um secreto indicativo de superioridade espiritual, ao ver beltrano usando um casaco de pele, ao mesmo tempo em que se orgulha de participar do programa “Fome Zero”, aquele mesmo que, criado por Betinhos, Lulas et caterva, foi desmoralizado pelos dados mais recentes do IBGE (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=3211)
Eu sempre quis saber se existe um gene petista, ou esquerdista, dormente em cada um, somente à espera da situação ideal que irá despertá-lo, tal como um semi-analfabeto candidatando-se à presidência da república, por exemplo. Senão, como explicar o populacho que foi em procissão à Brasília, reverenciar o messias que o levaria à nova Canaã, a um tempo de paz e prosperidade jamais vistas?
Após longa pesquisa teórica e de campo, entrevistei patricinhas e mauricinhos que, obedecendo a seu ancestral instinto gregário, reúnem-se, os mais pacíficos, em rodinhas de violão, e os mais agressivos, participam sempre de intimidantes grupos maiores, com os rostos pintados para a batalha quando, ao som de Elba Ramalho, Wanessa Camargo e Leonardo, prometem, com toda a força de seus pulmões, “mudar a situação que aí está”. Com oportunidade de acasalamento em toda esquina, e chapados de álcool e fumo, dão a este evento dionisíaco o nome de “comício”; pretendem, também, que se reconheça na festa, o caráter de protesto social, o que achei um tanto contraditório...
São facilmente identificáveis os fatores pelos quais a burguesada vota no PT e congêneres. À primeira vista, soa estranho que os quase e os bem-nascidos, teoricamente propensos a manter o status quo que em tese os beneficiaria, votem contra sua própria classe social. Mas é preciso daquela fé cega que os levou e ao seu profeta ao Planalto, e uma burrice ímpar, para acreditar no conceito marxista de “luta de classes”. Afinal, como disse alguém, “socialismo é um sistema que só funciona no Céu, onde não se precisa dele, e no Inferno, onde ele já existe”.
O primeiro destes fatores é uma religiosidade tosca (!). Explico-me. O fulano cansou da boa e velha virtude da caridade. Acha ela muito morosa e ineficaz. Desistiu de ajudar pessoalmente, um a um, os carentes que se lhe aparecem e, ingênuo e impaciente, toma para si a tarefa de reformar a sociedade em benefício dos pobres e necessitados, assim poderia ajudar a todos de uma vez só. Crente, crê estar fazendo a vontade de Deus; ateu, acredita-se a própria divindade.
O segundo é a burrice. Que tanto pode ser uma cegueira intelectual patológica como uma preguiça mental dos diabos. Uma pergunta, simplesmente não é feita pelos que se contentam com as respostas da mídia e academia que são, todas elas, salvo honrosas e raras exceções, esquerdistas – Que faz os países ricos serem ricos e os pobres serem pobres? A coragem de se fazer e estudar esta questão, admitindo as conseqüências de suas respostas é o que se traduz por honestidade intelectual, que implicará em uma firme tomada de posição política perante a situação em que se encontra nosso país e o mundo todo.
O ser humano não é essencialmente bom, apesar do que afirmam os mais inocentes. Engenharia social alguma mudará isso, no máximo, como já acontece, sob o pretexto de garantir a tal da “igualdade social”, criará outras classes de privilegiados. Pena que bem poucos atentem para o fato que o “politicamente correto” já está criando instituições que atribuem injustas vantagens a alguns, como o regime de cotas raciais, por exemplo. Se o próprio IBGE já constatou que a proporção entre a população se repete nas universidades, então se entende que o falso problema foi criado por Lula e Ong´s do tipo “Fala Preta” para justificar, no final das contas, os muitos benefícios que, com toda certeza, ainda irão exigir, e, não esqueçamos, o dinheiro que recebem.
Que os países capitalistas deram certo e os socialistas afundaram, já é óbvio. Entretanto, isso não é garantia de que não vão fazer experiências econômicas às nossas custas. Pra quem não se recorda, o nosso país já foi mais socialista do que agora – lembram-se do Plano Cruzado e seu tabelamento de preços? Resultado: prateleiras de mercadorias vazias. O capitalismo, lastreado em seu axioma fundamental de liberdade de trocas econômicas e de pensamento, segue sendo o meio mais eficaz de produção e distribuição de riqueza. De memória muito curta, o povo esquece da era pré-Collor, antes da abertura, onde nossos carros eram carroças e os produtos nacionais, caros e sem qualidade, não tinham a concorrência dos importados, sendo a economia controlada pelo estado. Hoje, apesar da ex-terrorista Ministra das Comunicações, telefone é barato; perguntem aos seus pais quanto custava uma linha e quanto tempo demorava até sua instalação...
P.S.: Coincidentemente, vejo na TV, Fernanda Tavares, que só poderia ser modelo, como um belo exemplo daquela classe média com um bocó complexo de culpa social, chorar horrorizada, o que para ela deve ser um secreto indicativo de superioridade espiritual, ao ver beltrano usando um casaco de pele, ao mesmo tempo em que se orgulha de participar do programa “Fome Zero”, aquele mesmo que, criado por Betinhos, Lulas et caterva, foi desmoralizado pelos dados mais recentes do IBGE (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=3211)
Tuesday, December 20, 2005
UM DIFERENTE VOTO DE NATAL
Acho muito engraçado, e patético, quando a meninada posa de herói do “amor” livre. Que há de heróico em, feito puta, sair dando mais do que chuchu na serra? Depois de transar com 50, qual a grande coisa de chegar ao número 54.827, por exemplo? E é impressionante o que esse povo faz pra justificar o cio, transmutando, sabe-se lá por que meios alquímicos, uma convencional peiadinha em um ato de rebeldia revolucionária e, pasmem, ascensão espiritual!
Assim, no caldeirão doido dos bicho-grilo, Marx, Freud, Reich e Buda, são misturados, dando o pretexto que faltava: Promiscuidade ilumina!!! Pra provar que não estou exagerando, deixa eu transcrever pra vocês alguns trechos dos Anais da “Convenção Brasil Latino América, Congresso Brasileiro e Encontro Paranaense de Psicoterapias Corporais” que deve ter sido, desde o título, uma suruba de categoria!!![1].
Dona Liane Zink, no documento não diz a profissão da dita cuja, já no início do seu texto, declara com todas as letrinhas que
“A revolução sexual começou com Lilith e sua maçã à Eva, a sexualidade ficou conectada com a expulsão do paraíso e com a necessidade de esconder a nudez. Talvez esta procura pela volta à este paraíso acompanhe o ser humano até nossos dias. A procura do “Orgasmo Cósmico”.
Deve ser muito legal um “orgasmo cósmico”, mas, como disco voador, pedra filosofal ou fonte da eterna juventude, dedicar a vida à procura disto parece, repito, coisa de preguiçoso intelectual e desonesto moral, já que, sem dúvida, dar ares de erudição intelectual, protesto social e iluminação religiosa ao que, no final das contas, é o simples ato de enfiar um pinto em um buraco, é por demais pretensioso. Tomemos, ainda, a tosca referência cientifica, do texto de Dona Cleide Negri:
“A mente, a consciência é uniforme, mas não está atuando integralmente. Se soubéssemos ativar as áreas misteriosas da consciência, poderemos atingir o estado homogêneo da mente universal e atingir a percepção absoluta”(MOTOYAMA, 1993, PÁG. 03)
Lembram que falei de preguiça intelectual? Acho que esse povo tá precisando assistir umas aulinhas de metodologia científica, senão vejamos. O autor citado por Dona Cleide, e ela junto, não percebe a descabida identificação de mente com consciência. A mente é tão-somente consciência? Que quer dizer com “atuando integralmente”? O senhor Motoyama ligou algum “integralmetrômetro” em alguém e registrou os resultados?
Mas o que mais gosto é da parte esotérica que fala de “áreas misteriosas da consciência”. Em ciência, não se pode falar senão de fenômenos, repetíveis em condições de laboratório e hipóteses que os poderiam explicar; sendo assim, ou não podemos falar de “áreas misteriosas da consciência”, ou, se podemos, qual o mistério??? E quanto à hipótese absurda da “percepção absoluta”, lá no final daquele trecho? Algum vivente já teve uma “percepção absoluta”? A não ser que a senhora Cleide e o senhor Motoyama acreditem que através da fé nos chakras ou nas drogas (Stanislav Grof), a mente humana se iguale, por um momento, à de Deus em uma “percepção absoluta”; termo que, por sinal, é fenomenologicamente injustificado.
E, quanto a Marx como ingrediente do ensopado, remeto vocês, para exemplificar, ao Sumário nº 8 do Jornal da Juventude Revolucionária (http://www.pco.org.br/publicacoes/juventude/arquivo/08/sumario.htm) que indica a importância de Reich para a causa universitária (ops!) revolucionária :
“O capítulo, escrito em 1936 procura resumir de que maneira a economia sexual estabelece a relação entre a vida mental humana e a ordem econômico-social.”
Sabemos que o relativismo, desconstrucionismo, socialismo e congêneres, que a pretexto de se traduzirem em uma independência do cérebro “bem-pensante”, são, na verdade, os canhões e espadas contra o resultado de um processo histórico de desenvolvimento da consciência que, começando na Grécia, culminou com o advento do cristianismo, produzindo uma Moral contra a qual se esforçam em atacar como ultrapassada e reacionária, os porra-louca de esquerda.
Assim, meu incomum voto de natal aos inteligentes, esforçados e mais que meritórios buscadores incansáveis de um sentido de vida que não está à venda em manuais de auto-ajuda, nem em fórmulas fáceis e babacas da esquerda burra; guerreiros anônimos de uma batalha invisível; leitores deste blog; considerem-se, um a um, abraçados com o meu mais terno carinho, e rogo a Deus que nos abençoe com muita força, pois temos muita luta justa pela frente e acredito que a única coisa que importa será a pergunta, umazinha só, que nos fará o Senhor, no nosso dia: “Que fizeste com os talentos que te dei?” De todo meu coração, espero que mostremos uma vida que fez diferença nessa terrinha...
P.S.: Vou me dar alguns poucos dias de “férias” do bloguinho... Sabe como é... Festinhas e “mé” (rimou).
P.S. II: Muito mal comparando, porém verdadeiro: se no passado os cristãos eram jogados às feras, agora eles são expulsos de comunidades que, em tese, se destinariam a um debate democrático e não eliminariam ninguém por suas crenças. Ou forma de escrever, ácida, para acordar os dorminhocos... Do alto da sapiência dos seus 25 aninhos de vida, a “sábia” LuaAzul_ . (que bonitinha!) me defenestrou da comunidade “Psicologia”!
[1] http://www.centroreichiano.com.br/artigos/anais/Cleide%20Negri%20dos%20Santos.pdf ou http://www.centroreichiano.com.br/artigos/anais/Liane%20Zink.pdf
Acho muito engraçado, e patético, quando a meninada posa de herói do “amor” livre. Que há de heróico em, feito puta, sair dando mais do que chuchu na serra? Depois de transar com 50, qual a grande coisa de chegar ao número 54.827, por exemplo? E é impressionante o que esse povo faz pra justificar o cio, transmutando, sabe-se lá por que meios alquímicos, uma convencional peiadinha em um ato de rebeldia revolucionária e, pasmem, ascensão espiritual!
Assim, no caldeirão doido dos bicho-grilo, Marx, Freud, Reich e Buda, são misturados, dando o pretexto que faltava: Promiscuidade ilumina!!! Pra provar que não estou exagerando, deixa eu transcrever pra vocês alguns trechos dos Anais da “Convenção Brasil Latino América, Congresso Brasileiro e Encontro Paranaense de Psicoterapias Corporais” que deve ter sido, desde o título, uma suruba de categoria!!![1].
Dona Liane Zink, no documento não diz a profissão da dita cuja, já no início do seu texto, declara com todas as letrinhas que
“A revolução sexual começou com Lilith e sua maçã à Eva, a sexualidade ficou conectada com a expulsão do paraíso e com a necessidade de esconder a nudez. Talvez esta procura pela volta à este paraíso acompanhe o ser humano até nossos dias. A procura do “Orgasmo Cósmico”.
Deve ser muito legal um “orgasmo cósmico”, mas, como disco voador, pedra filosofal ou fonte da eterna juventude, dedicar a vida à procura disto parece, repito, coisa de preguiçoso intelectual e desonesto moral, já que, sem dúvida, dar ares de erudição intelectual, protesto social e iluminação religiosa ao que, no final das contas, é o simples ato de enfiar um pinto em um buraco, é por demais pretensioso. Tomemos, ainda, a tosca referência cientifica, do texto de Dona Cleide Negri:
“A mente, a consciência é uniforme, mas não está atuando integralmente. Se soubéssemos ativar as áreas misteriosas da consciência, poderemos atingir o estado homogêneo da mente universal e atingir a percepção absoluta”(MOTOYAMA, 1993, PÁG. 03)
Lembram que falei de preguiça intelectual? Acho que esse povo tá precisando assistir umas aulinhas de metodologia científica, senão vejamos. O autor citado por Dona Cleide, e ela junto, não percebe a descabida identificação de mente com consciência. A mente é tão-somente consciência? Que quer dizer com “atuando integralmente”? O senhor Motoyama ligou algum “integralmetrômetro” em alguém e registrou os resultados?
Mas o que mais gosto é da parte esotérica que fala de “áreas misteriosas da consciência”. Em ciência, não se pode falar senão de fenômenos, repetíveis em condições de laboratório e hipóteses que os poderiam explicar; sendo assim, ou não podemos falar de “áreas misteriosas da consciência”, ou, se podemos, qual o mistério??? E quanto à hipótese absurda da “percepção absoluta”, lá no final daquele trecho? Algum vivente já teve uma “percepção absoluta”? A não ser que a senhora Cleide e o senhor Motoyama acreditem que através da fé nos chakras ou nas drogas (Stanislav Grof), a mente humana se iguale, por um momento, à de Deus em uma “percepção absoluta”; termo que, por sinal, é fenomenologicamente injustificado.
E, quanto a Marx como ingrediente do ensopado, remeto vocês, para exemplificar, ao Sumário nº 8 do Jornal da Juventude Revolucionária (http://www.pco.org.br/publicacoes/juventude/arquivo/08/sumario.htm) que indica a importância de Reich para a causa universitária (ops!) revolucionária :
“O capítulo, escrito em 1936 procura resumir de que maneira a economia sexual estabelece a relação entre a vida mental humana e a ordem econômico-social.”
Sabemos que o relativismo, desconstrucionismo, socialismo e congêneres, que a pretexto de se traduzirem em uma independência do cérebro “bem-pensante”, são, na verdade, os canhões e espadas contra o resultado de um processo histórico de desenvolvimento da consciência que, começando na Grécia, culminou com o advento do cristianismo, produzindo uma Moral contra a qual se esforçam em atacar como ultrapassada e reacionária, os porra-louca de esquerda.
Assim, meu incomum voto de natal aos inteligentes, esforçados e mais que meritórios buscadores incansáveis de um sentido de vida que não está à venda em manuais de auto-ajuda, nem em fórmulas fáceis e babacas da esquerda burra; guerreiros anônimos de uma batalha invisível; leitores deste blog; considerem-se, um a um, abraçados com o meu mais terno carinho, e rogo a Deus que nos abençoe com muita força, pois temos muita luta justa pela frente e acredito que a única coisa que importa será a pergunta, umazinha só, que nos fará o Senhor, no nosso dia: “Que fizeste com os talentos que te dei?” De todo meu coração, espero que mostremos uma vida que fez diferença nessa terrinha...
P.S.: Vou me dar alguns poucos dias de “férias” do bloguinho... Sabe como é... Festinhas e “mé” (rimou).
P.S. II: Muito mal comparando, porém verdadeiro: se no passado os cristãos eram jogados às feras, agora eles são expulsos de comunidades que, em tese, se destinariam a um debate democrático e não eliminariam ninguém por suas crenças. Ou forma de escrever, ácida, para acordar os dorminhocos... Do alto da sapiência dos seus 25 aninhos de vida, a “sábia” LuaAzul_ . (que bonitinha!) me defenestrou da comunidade “Psicologia”!
[1] http://www.centroreichiano.com.br/artigos/anais/Cleide%20Negri%20dos%20Santos.pdf ou http://www.centroreichiano.com.br/artigos/anais/Liane%20Zink.pdf
Sunday, December 11, 2005
NÁRNIA É AQUI?
Junguiano que é Junguiano, não pode ver uma lenda que vai logo “decifrando”. E dá-lhe amplificações mitológicas, históricas, folclóricas, filológicas, semânticas e por aí se vai... Não sabe, por exemplo, e tão-somente, assistir ao filme; aposta, se tiver um colega junto, quem é capaz de identificar mais arquétipos, e, daí, tenta antecipar o que vai acontecer em seguida. É um saco! - “Olha lá! Aquele é o ‘Velho Sábio’, tenho certeza que não acontece nada com ele! Só se rolar uma ‘morte-renascimento’ ou um sacrifício heróico.” “Eita! Pegou a espada! Simboliza o resgate do princípio patriarcal organizador!” “Tá vendo a poção mágica? Asseguro-te que se trata do elemento vivificante feminino! Não disse? Eu sabia que quem ia tê-la era a menininha!” E haja paciência pra aturar... E lá vou eu fazer o mesmo...
Mas, não posso perder a oportunidade de alfinetar o pessoal boboca lá do Congresso (vide posts anteriores); aquele mesmo que identificando moral com egoísmo, elabora uma proposta de terapêutica que redunda em um saco de gatos contrário a tudo que Jung já escreveu. Desafio qualquer um a me mostrar uma única linha do próprio punho de Jung que indique, muito ao contrário do que disseram os mencionados bobocas, que o objetivo da psicologia analítica é a produção da felicidade, antes, como já afirmei em outros lugares, é a Moral o fator efetivo na Psicologia Analítica.
É que o livro que deu origem ao filme As crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa é, como toda grande fábula, a descrição de uma situação arquetípica Moral, que seja, o eterno conflito entre o Bem e o Mal. A cena inicial mostra Londres sendo bombardeada pelos alemães, o que realmente ocorreu, na Segunda Grande Guerra, e os quatro filhos de uma senhora inglesa – dois meninos e duas meninas – são enviados à casa de um tio, no interior do país. Lá, brincando de esconde-esconde, encontram um guarda-roupa que é o portal para a terra mística de Nárnia, onde a Feiticeira Branca reina, produzindo um terrível inverno que nunca acaba.
Já aí, notamos uma sincronicidade (acontecimentos sem uma origem comum, mas que se unem pelo significado) – a uma tragédia no mundo empírico, corresponde outra no mítico (ou espiritual). Os nazistas e a Feiticeira Branca são uma e mesma coisa, e toda a real população britânica é simbolizada pelos quatro jovens... Assim, entre uma cena e outra, a intrigante questão se apresenta às cabeças mais bem-pensantes: Será que à situação do meu mundo mental, corresponde outra, no mundo físico, ou vice-versa? Será – que terrível! – que como aqueles personagens, eu, resolvendo minha problemática pessoal, contribuo para a interdição de mensalões e mensalinhos? Que magnífica questão, esta! E creio que sim, a resposta é individual; não cabe à sociedade, este ente etéreo e amorfo, a última palavra sobre o desenvolvimento da humanidade, e isto bem ao contrário do que querem os apóstolos dos movimentos sociais[1]:
“Entretanto um teólogo disse-me: ‘Devemos chegar às massas. Se tentarmos tratar indivíduo por indivíduo, nunca chegáramos a coisa nenhuma!’ Eu respondi: ‘Como foi que o cristianismo conquistou o mundo, em primeiro lugar? Não foi sempre de indivíduo para indivíduo’?
E o nosso já tão conhecido e amado reformador Moral, Kant, também concorda que o Indivíduo seja a instância decisiva, no que tange ao progresso espiritual, em um texto que arrepia socialistas de todos os matizes e petistas revolucionários[2]:
“Por meio de uma revolução poderá talvez levar-se a cabo a queda do despotismo pessoal e da opressão gananciosa ou dominadora, mas nunca uma verdadeira reforma do modo de pensar. Novos preconceitos, justamente como os antigos, servirão de rédeas à grande massa destituída de pensamento.”
Não quero estragar o filme, contando-o todo, para quem ainda não viu. Digo, apenas, que em Nárnia não faltarão traições. Pelo bem de si mesmo (felicidade), haverá quem troque informações preciosas à Feiticeira Branca, por promessas de doces e poder. Haverá também culpa – primeiro passo na terapia analítica -, perdão, redenção e auto-sacrifício. Uma bela estória cristã, como cristão era seu autor... Hei! Por favor, o senhor (ou senhora) poderia me informar onde fica Nárnia?
[1] JUNG, Carl Gustav; C.G. Jung: Entrevistas e Encontros; São Paulo; Cultrix; 1982; pág. 401.
[2] KANT, Immanuel; A Paz Perpétua e outros Opúsculos; Lisboa; Edições 70; pág. 13.
Junguiano que é Junguiano, não pode ver uma lenda que vai logo “decifrando”. E dá-lhe amplificações mitológicas, históricas, folclóricas, filológicas, semânticas e por aí se vai... Não sabe, por exemplo, e tão-somente, assistir ao filme; aposta, se tiver um colega junto, quem é capaz de identificar mais arquétipos, e, daí, tenta antecipar o que vai acontecer em seguida. É um saco! - “Olha lá! Aquele é o ‘Velho Sábio’, tenho certeza que não acontece nada com ele! Só se rolar uma ‘morte-renascimento’ ou um sacrifício heróico.” “Eita! Pegou a espada! Simboliza o resgate do princípio patriarcal organizador!” “Tá vendo a poção mágica? Asseguro-te que se trata do elemento vivificante feminino! Não disse? Eu sabia que quem ia tê-la era a menininha!” E haja paciência pra aturar... E lá vou eu fazer o mesmo...
Mas, não posso perder a oportunidade de alfinetar o pessoal boboca lá do Congresso (vide posts anteriores); aquele mesmo que identificando moral com egoísmo, elabora uma proposta de terapêutica que redunda em um saco de gatos contrário a tudo que Jung já escreveu. Desafio qualquer um a me mostrar uma única linha do próprio punho de Jung que indique, muito ao contrário do que disseram os mencionados bobocas, que o objetivo da psicologia analítica é a produção da felicidade, antes, como já afirmei em outros lugares, é a Moral o fator efetivo na Psicologia Analítica.
É que o livro que deu origem ao filme As crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa é, como toda grande fábula, a descrição de uma situação arquetípica Moral, que seja, o eterno conflito entre o Bem e o Mal. A cena inicial mostra Londres sendo bombardeada pelos alemães, o que realmente ocorreu, na Segunda Grande Guerra, e os quatro filhos de uma senhora inglesa – dois meninos e duas meninas – são enviados à casa de um tio, no interior do país. Lá, brincando de esconde-esconde, encontram um guarda-roupa que é o portal para a terra mística de Nárnia, onde a Feiticeira Branca reina, produzindo um terrível inverno que nunca acaba.
Já aí, notamos uma sincronicidade (acontecimentos sem uma origem comum, mas que se unem pelo significado) – a uma tragédia no mundo empírico, corresponde outra no mítico (ou espiritual). Os nazistas e a Feiticeira Branca são uma e mesma coisa, e toda a real população britânica é simbolizada pelos quatro jovens... Assim, entre uma cena e outra, a intrigante questão se apresenta às cabeças mais bem-pensantes: Será que à situação do meu mundo mental, corresponde outra, no mundo físico, ou vice-versa? Será – que terrível! – que como aqueles personagens, eu, resolvendo minha problemática pessoal, contribuo para a interdição de mensalões e mensalinhos? Que magnífica questão, esta! E creio que sim, a resposta é individual; não cabe à sociedade, este ente etéreo e amorfo, a última palavra sobre o desenvolvimento da humanidade, e isto bem ao contrário do que querem os apóstolos dos movimentos sociais[1]:
“Entretanto um teólogo disse-me: ‘Devemos chegar às massas. Se tentarmos tratar indivíduo por indivíduo, nunca chegáramos a coisa nenhuma!’ Eu respondi: ‘Como foi que o cristianismo conquistou o mundo, em primeiro lugar? Não foi sempre de indivíduo para indivíduo’?
E o nosso já tão conhecido e amado reformador Moral, Kant, também concorda que o Indivíduo seja a instância decisiva, no que tange ao progresso espiritual, em um texto que arrepia socialistas de todos os matizes e petistas revolucionários[2]:
“Por meio de uma revolução poderá talvez levar-se a cabo a queda do despotismo pessoal e da opressão gananciosa ou dominadora, mas nunca uma verdadeira reforma do modo de pensar. Novos preconceitos, justamente como os antigos, servirão de rédeas à grande massa destituída de pensamento.”
Não quero estragar o filme, contando-o todo, para quem ainda não viu. Digo, apenas, que em Nárnia não faltarão traições. Pelo bem de si mesmo (felicidade), haverá quem troque informações preciosas à Feiticeira Branca, por promessas de doces e poder. Haverá também culpa – primeiro passo na terapia analítica -, perdão, redenção e auto-sacrifício. Uma bela estória cristã, como cristão era seu autor... Hei! Por favor, o senhor (ou senhora) poderia me informar onde fica Nárnia?
[1] JUNG, Carl Gustav; C.G. Jung: Entrevistas e Encontros; São Paulo; Cultrix; 1982; pág. 401.
[2] KANT, Immanuel; A Paz Perpétua e outros Opúsculos; Lisboa; Edições 70; pág. 13.
Sunday, November 27, 2005
VOCÊ TEM UM "HISTÓRICO MORNO DE VIDA"?
Uma leitora, de uma perspicácia a toda prova, comentou: “já percebeu tamanha estupidez do ser humano, deixar-se acreditar que amoralidade é uma virtude?!!! Não me admira que a neurose na atualidade cresça exponencialmente!” Na verdade, acho impressionante e fico muito alegre, que alguém ainda consiga pensar e sentir fora dos padrões medíocres de nossa sociedade. E que não se culpe a mídia, ela apenas vende o que o populacho está louquinho pra comprar.
Em uma banca de revistas, vi a “Marie Claire” de novembro. Costumava ser uma leitura agradável, para jovens senhoras, diferentemente do público de “Nova”, mais jovem, e por isso mesmo, mais venal; ainda se destina ao mesmo público, mas o conteúdo, quanta diferença... Depois do obrigatório “Beleza – os segredos da nova Escova Progressiva”, estava lá, “SEXO SEM LIMITES – Nas novas casas de swing, a balada vai além da troca de casais”. Comprei na hora, pois nem só de “Sexy” vive o filósofo que anseia saber o que vai na cabeça da multidão. Mas a indizível surpresa estava mesmo era lá pelo meio da publicação: “30 coisas para fazer antes dos 30”, acompanhada de uma advertência terrível, comparável a uma maldição de proporções bíblicas – “Se você está chegando lá, aproveite as idéias ou carregue para sempre um histórico morno de vida”. Fico imaginando a leitora suando frio, em um misto de expectativa, medo e culpa – “o que será, o que será que devo fazer pra não acusada de ter um 'histórico morno de vida?'”, e, desesperada, ao mesmo tempo em que reza pra já ter cumprido ao menos metade da lista, apressa-se a seguir as ordens da surprema autoridade da articulista, da qual separo algumas sugestões:
1. Transar com um cara com menos de 20 anos.
2. Dizer que vai a uma reunião e ir transar com o novo namorado.
4. Beijar um passante.
9. Passear sem calcinha.
10. Beijar uma mulher para ver como é.
11. Transar com um dos seus melhores amigos.
15. Transar com alguém e esquecer o nome dele.
22. Ter o melhor sexo da sua vida com um otário.
Antes de a gente prosseguir, deixa eu te apresentar uma outra lista, que, bem menor, tem apenas oito sugestões:
1. Escrever suas primeiras páginas mediúnicas e propagar ao mundo inteiro mensagens de caridade e amor fraterno. – Chico Xavier, aos 17 anos.
2. Obter um diploma de medicina – você tem grana pra isso, afinal, pobre não compra “Marie Claire” – e começar as pesquisas que te habilitarão a descobrir a vacina contra, digamos, a paralisia infantil. – Albert Sabin, aos 25 anos
3. Sentir o ardente desejo... de ser missionária! – Madre Teresa de Calcutá, aos 12 anos.
4. Descobrir o “Efeito Fotoelétrico” e ganhar, alguns anos depois, o prêmio Nobel. - Albert Einstein, aos 26 anos.
5. Preferir assistir a um programa de popularização de astrofísica (“Cosmos” de Carl Sagan) a continuar dormindo. Eu, aos 15 anos.
6. Ter seu talento reconhecido e ser convidado a participar do Kirov Ballet e, mais tarde, ser indicado ao “Oscar”. Mikhail Baryshnikov, aos 18 e 29 anos, respectivamente.
7. Ser um compositor de altíssima qualidade. Wolgang Amadeus Morzart, aos 12 anos.
8. Denunciar a mentira, até de quem lhe é próximo. – Emanuela Lima, aos 22 anos. (“Veja”; edição 1933; 30 de novembro de 2005, pág. 62).
Traduzindo: a revista “Marie Claire” diz que se você trepar adoidado, terá tido um vidão, eu, por outro lado, apenas estranho quem pensa que o mais significativo da vida é copular como um animal. Estes últimos, realmente, não podem fazer mais que o sugerido lá na lista da revista...
Uma leitora, de uma perspicácia a toda prova, comentou: “já percebeu tamanha estupidez do ser humano, deixar-se acreditar que amoralidade é uma virtude?!!! Não me admira que a neurose na atualidade cresça exponencialmente!” Na verdade, acho impressionante e fico muito alegre, que alguém ainda consiga pensar e sentir fora dos padrões medíocres de nossa sociedade. E que não se culpe a mídia, ela apenas vende o que o populacho está louquinho pra comprar.
Em uma banca de revistas, vi a “Marie Claire” de novembro. Costumava ser uma leitura agradável, para jovens senhoras, diferentemente do público de “Nova”, mais jovem, e por isso mesmo, mais venal; ainda se destina ao mesmo público, mas o conteúdo, quanta diferença... Depois do obrigatório “Beleza – os segredos da nova Escova Progressiva”, estava lá, “SEXO SEM LIMITES – Nas novas casas de swing, a balada vai além da troca de casais”. Comprei na hora, pois nem só de “Sexy” vive o filósofo que anseia saber o que vai na cabeça da multidão. Mas a indizível surpresa estava mesmo era lá pelo meio da publicação: “30 coisas para fazer antes dos 30”, acompanhada de uma advertência terrível, comparável a uma maldição de proporções bíblicas – “Se você está chegando lá, aproveite as idéias ou carregue para sempre um histórico morno de vida”. Fico imaginando a leitora suando frio, em um misto de expectativa, medo e culpa – “o que será, o que será que devo fazer pra não acusada de ter um 'histórico morno de vida?'”, e, desesperada, ao mesmo tempo em que reza pra já ter cumprido ao menos metade da lista, apressa-se a seguir as ordens da surprema autoridade da articulista, da qual separo algumas sugestões:
1. Transar com um cara com menos de 20 anos.
2. Dizer que vai a uma reunião e ir transar com o novo namorado.
4. Beijar um passante.
9. Passear sem calcinha.
10. Beijar uma mulher para ver como é.
11. Transar com um dos seus melhores amigos.
15. Transar com alguém e esquecer o nome dele.
22. Ter o melhor sexo da sua vida com um otário.
Antes de a gente prosseguir, deixa eu te apresentar uma outra lista, que, bem menor, tem apenas oito sugestões:
1. Escrever suas primeiras páginas mediúnicas e propagar ao mundo inteiro mensagens de caridade e amor fraterno. – Chico Xavier, aos 17 anos.
2. Obter um diploma de medicina – você tem grana pra isso, afinal, pobre não compra “Marie Claire” – e começar as pesquisas que te habilitarão a descobrir a vacina contra, digamos, a paralisia infantil. – Albert Sabin, aos 25 anos
3. Sentir o ardente desejo... de ser missionária! – Madre Teresa de Calcutá, aos 12 anos.
4. Descobrir o “Efeito Fotoelétrico” e ganhar, alguns anos depois, o prêmio Nobel. - Albert Einstein, aos 26 anos.
5. Preferir assistir a um programa de popularização de astrofísica (“Cosmos” de Carl Sagan) a continuar dormindo. Eu, aos 15 anos.
6. Ter seu talento reconhecido e ser convidado a participar do Kirov Ballet e, mais tarde, ser indicado ao “Oscar”. Mikhail Baryshnikov, aos 18 e 29 anos, respectivamente.
7. Ser um compositor de altíssima qualidade. Wolgang Amadeus Morzart, aos 12 anos.
8. Denunciar a mentira, até de quem lhe é próximo. – Emanuela Lima, aos 22 anos. (“Veja”; edição 1933; 30 de novembro de 2005, pág. 62).
Traduzindo: a revista “Marie Claire” diz que se você trepar adoidado, terá tido um vidão, eu, por outro lado, apenas estranho quem pensa que o mais significativo da vida é copular como um animal. Estes últimos, realmente, não podem fazer mais que o sugerido lá na lista da revista...
Sunday, November 20, 2005
A PSICOLOGIA JUNGUIANA É IMORAL? II
O seguinte texto parte da inescapável premissa de que já foi lido o “post” anterior, e, sendo assim, levando em consideração as enfáticas críticas que teci aos junguianos que fizeram uma lamentável apresentação em um recente congresso, atendo ao pedido para explicitar “por que deve um junguiano ler Kant?” Antes de prosseguir devo acrescentar que escrevi o texto passado[1] e o presente como uma homenagem e contribuição à inteligência dos junguianos sinceramente interessados no estudo da teoria do “Sábio de Zurique”.
Comecemos com a enfática afirmação do próprio Jung de que[2]
“...as causas principais da neurose são conflitos de consciência e problemas morais difíceis, cujo processo de cura exige que se dê uma resposta a eles.”
Então, caros médicos e psicólogos, quais os estudos de neurônios, condicionamento operante e cognição que lhe virão em socorro nessa hora de aflição? Eis que um paciente, postado diante de si, dependente, como se estivesse com as vísceras à mostra em uma mesa de cirurgia, exige-lhe uma resposta... O treinamento brasileiro junguiano aconselharia uma elegante “imaginação ativa”? Ou, quem sabe, uma charmosa “análise de sonhos”? Na verdade, e devido ao despreparo filosófico, os médicos e psicólogos pensam, de forma intelectualmente desonesta, que tecnologias de psicologia analítica podem ser sempre chamadas para encobrir suas graves lacunas em formação junguiana, com um resultado que será, com certeza, não menos que indigente, pois, afinal, quanto ao uso da técnica, tão-somente, já Jung advertia[3]:
“A cura da neurose não é, em última análise, um problema técnico, mas um problema moral.”
Ora, são dois os pensadores com presença constante na obra de Jung: Kant e Nietzsche. O primeiro, no que é chamada de revolução copernicana da filosofia, bem separou em sua obra “Crítica da Razão Pura”, o que pode ser conhecido, do que não pode. Foi assertivo em insistir que só podemos ter conhecimento de objetos da experiência, eliminando assim, a ciência medieval dos objetos metafísicos, tais como Deus e Liberdade, o que provocou, segundo a lenda[4], a ira dos padres de então, que se vingaram pondo em seus cachorros o nome de Kant.
Mas, surpresa! Eis que a metafísica ressurge como uma resposta à pergunta por objetos que possam ser produzidos independentemente da experiência (a priori) e que sejam necessários (não possam ser diferentemente do que são). Os juízos da matemática são um bom exemplo disto. Mas existirão outros? Sim, a Moral. É absoluta, independe de experiências e advindo exclusivamente da razão, é tão certa, universal e necessária quanto a matemática. É uma questão de saber se[5] “razão pura pode ser prática; isto é, pode, por si só, determinar a vontade, independentemente de qualquer coisa empírica.” E pode, pela liberdade, conforme ficou demonstrado no “post” anterior. De fato, só faltou o próprio Jung recomendar, com todas as letrinhas, que os terapeutas lessem Kant, ao insistir na afirmação da Razão através da liberdade como Moral, e na correspondência destas com sua teoria[6]: "É inegável que a razão aparece aqui como uma instância de decisão ética."
Desta forma, apesar de levar em consideração determinantes subjetivas, Jung não se afasta muito de Kant ao reconhece à Moral uma objetividade na qual muito insiste o segundo[7]:
“Não se deve esquecer que a lei moral não é apenas algo imposto de fora à humanidade (por exemplo, por um avô ranzinza), mas é expressão de uma realidade psíquica.”
O que é bem antipático, nestes tempos onde o sucesso de um autor é diretamente proporcional à sua capacidade de puxar o saco de quem lhe ouve, é que muito se tem desprezado, por todos os “doutores da alma” e pelos junguianos mais especificamente, bem como pelo público em geral, a culpa, como parte integrante do processo terapêutico. Assim, a consciência da Lei Moral e o remorso decorrente de sua infração, são condições inextinguíveis para o aumento da consciência[8]:
“Pode ser que algo seja realmente mau para ele, mas assim mesmo o faz, ficando então com a consciência pesada. Em sentido terapêutico, portanto, empírico, isto pode ser muito bom para aquela pessoa. (...) Como experimentará alguém a necessidade de redenção se acha, em sua presunção, que não precisa ser redimido de nada?”
Jung já afirmou em vários lugares[9] que a personalidade do terapeuta é o fator que em muito contribuirá pelo sucesso, ou não, da dinâmica analítica. E, com certeza, uma personalidade “forte” não será proporcional à quantidade de horas dedicadas à musculação, nem, muito menos, a um certo temperamento injuntivo, antes, é à consciência moral que se refere, uma vez que é por ela que se conduzirá todo o processo. Entretanto, se não se recusa ao outro uma orientação, negando, felizmente, o covarde mote de que ao analista está apenas reservado o papel de mero observador acompanhante de caminhada, há que se cuidar para, também, reconhecer no paciente a importância de sua própria decisão moral soberana, como instância última do processo terapêutico. A Lei Moral torna-se pedagogia de si e de outrem e, desta forma, aplica-se indistintamente tanto ao analista quanto ao paciente[10]:
“O que no passado era método de terapia converte-se aqui em método de auto-educação, e com isso o horizonte da nossa psicologia abre-se, repentinamente, para o imprevisível. O que é decisivo agora não é o diploma médico, mas a qualidade humana.”
Então, se quero medir, por exemplo, o tamanho de algo, preciso compará-lo a uma unidade de medida – metro, polegada, braças – ou coisa do gênero; dá-se o mesmo se quero pesar - uso então quilos, libras ou onças. Lê-se Kant para conhecer a unidade de medida Moral, e até aqui, pretendi mostrar o quão grande e até difícil é esta responsabilidade, que está diretamente relacionada ao que o pessoal das associações junguianas brasileiras parecem, imbecilmente, ignorar – a relação necessária e absoluta entre Kant e Jung.
[1] COELHO, João; A Psicologia Junguiana é Imoral?; donodaverdade.blogspot.com
[2] JUNG, Carl Gustav; A Vida Simbólica (vol. XVIII/2); Vozes; Petrópolis; 2000; pág. 191.
[3] Ibidem; pág. 192.
[4] DURANT, Will; A História da Filosofia; Record; Rio de Janeiro; pág. 213.
[5] Cf. ibidem; pág. 214. ou KANT; Crítica da Razão Prática; Edições 70; Lisboa; pág. 23.
[6] JUNG, Carl Gustav; Psicologia da Religião Ocidental e Oriental(vol. XI); Vozes; Petrópolis; 1983; pág. 77.
[7] JUNG; A Vida Simbólica; pág. 194.
[8] Ibidem; pág. 428.
[9] Conf. JUNG; A Prática da Psicoterapia; Vozes; Petrópolis; 1985; pág. 07.: “O melhor que o médico pode fazer nesses casos é dispensar todo seu equipamento de métodos e teorias e confiar, velando unicamente por sua personalidade para que ela tenha firmeza suficiente para servir de ponto de referência ao paciente.” (grifo nosso)
[10] Ibidem; pág. 71.
O seguinte texto parte da inescapável premissa de que já foi lido o “post” anterior, e, sendo assim, levando em consideração as enfáticas críticas que teci aos junguianos que fizeram uma lamentável apresentação em um recente congresso, atendo ao pedido para explicitar “por que deve um junguiano ler Kant?” Antes de prosseguir devo acrescentar que escrevi o texto passado[1] e o presente como uma homenagem e contribuição à inteligência dos junguianos sinceramente interessados no estudo da teoria do “Sábio de Zurique”.
Comecemos com a enfática afirmação do próprio Jung de que[2]
“...as causas principais da neurose são conflitos de consciência e problemas morais difíceis, cujo processo de cura exige que se dê uma resposta a eles.”
Então, caros médicos e psicólogos, quais os estudos de neurônios, condicionamento operante e cognição que lhe virão em socorro nessa hora de aflição? Eis que um paciente, postado diante de si, dependente, como se estivesse com as vísceras à mostra em uma mesa de cirurgia, exige-lhe uma resposta... O treinamento brasileiro junguiano aconselharia uma elegante “imaginação ativa”? Ou, quem sabe, uma charmosa “análise de sonhos”? Na verdade, e devido ao despreparo filosófico, os médicos e psicólogos pensam, de forma intelectualmente desonesta, que tecnologias de psicologia analítica podem ser sempre chamadas para encobrir suas graves lacunas em formação junguiana, com um resultado que será, com certeza, não menos que indigente, pois, afinal, quanto ao uso da técnica, tão-somente, já Jung advertia[3]:
“A cura da neurose não é, em última análise, um problema técnico, mas um problema moral.”
Ora, são dois os pensadores com presença constante na obra de Jung: Kant e Nietzsche. O primeiro, no que é chamada de revolução copernicana da filosofia, bem separou em sua obra “Crítica da Razão Pura”, o que pode ser conhecido, do que não pode. Foi assertivo em insistir que só podemos ter conhecimento de objetos da experiência, eliminando assim, a ciência medieval dos objetos metafísicos, tais como Deus e Liberdade, o que provocou, segundo a lenda[4], a ira dos padres de então, que se vingaram pondo em seus cachorros o nome de Kant.
Mas, surpresa! Eis que a metafísica ressurge como uma resposta à pergunta por objetos que possam ser produzidos independentemente da experiência (a priori) e que sejam necessários (não possam ser diferentemente do que são). Os juízos da matemática são um bom exemplo disto. Mas existirão outros? Sim, a Moral. É absoluta, independe de experiências e advindo exclusivamente da razão, é tão certa, universal e necessária quanto a matemática. É uma questão de saber se[5] “razão pura pode ser prática; isto é, pode, por si só, determinar a vontade, independentemente de qualquer coisa empírica.” E pode, pela liberdade, conforme ficou demonstrado no “post” anterior. De fato, só faltou o próprio Jung recomendar, com todas as letrinhas, que os terapeutas lessem Kant, ao insistir na afirmação da Razão através da liberdade como Moral, e na correspondência destas com sua teoria[6]: "É inegável que a razão aparece aqui como uma instância de decisão ética."
Desta forma, apesar de levar em consideração determinantes subjetivas, Jung não se afasta muito de Kant ao reconhece à Moral uma objetividade na qual muito insiste o segundo[7]:
“Não se deve esquecer que a lei moral não é apenas algo imposto de fora à humanidade (por exemplo, por um avô ranzinza), mas é expressão de uma realidade psíquica.”
O que é bem antipático, nestes tempos onde o sucesso de um autor é diretamente proporcional à sua capacidade de puxar o saco de quem lhe ouve, é que muito se tem desprezado, por todos os “doutores da alma” e pelos junguianos mais especificamente, bem como pelo público em geral, a culpa, como parte integrante do processo terapêutico. Assim, a consciência da Lei Moral e o remorso decorrente de sua infração, são condições inextinguíveis para o aumento da consciência[8]:
“Pode ser que algo seja realmente mau para ele, mas assim mesmo o faz, ficando então com a consciência pesada. Em sentido terapêutico, portanto, empírico, isto pode ser muito bom para aquela pessoa. (...) Como experimentará alguém a necessidade de redenção se acha, em sua presunção, que não precisa ser redimido de nada?”
Jung já afirmou em vários lugares[9] que a personalidade do terapeuta é o fator que em muito contribuirá pelo sucesso, ou não, da dinâmica analítica. E, com certeza, uma personalidade “forte” não será proporcional à quantidade de horas dedicadas à musculação, nem, muito menos, a um certo temperamento injuntivo, antes, é à consciência moral que se refere, uma vez que é por ela que se conduzirá todo o processo. Entretanto, se não se recusa ao outro uma orientação, negando, felizmente, o covarde mote de que ao analista está apenas reservado o papel de mero observador acompanhante de caminhada, há que se cuidar para, também, reconhecer no paciente a importância de sua própria decisão moral soberana, como instância última do processo terapêutico. A Lei Moral torna-se pedagogia de si e de outrem e, desta forma, aplica-se indistintamente tanto ao analista quanto ao paciente[10]:
“O que no passado era método de terapia converte-se aqui em método de auto-educação, e com isso o horizonte da nossa psicologia abre-se, repentinamente, para o imprevisível. O que é decisivo agora não é o diploma médico, mas a qualidade humana.”
Então, se quero medir, por exemplo, o tamanho de algo, preciso compará-lo a uma unidade de medida – metro, polegada, braças – ou coisa do gênero; dá-se o mesmo se quero pesar - uso então quilos, libras ou onças. Lê-se Kant para conhecer a unidade de medida Moral, e até aqui, pretendi mostrar o quão grande e até difícil é esta responsabilidade, que está diretamente relacionada ao que o pessoal das associações junguianas brasileiras parecem, imbecilmente, ignorar – a relação necessária e absoluta entre Kant e Jung.
[1] COELHO, João; A Psicologia Junguiana é Imoral?; donodaverdade.blogspot.com
[2] JUNG, Carl Gustav; A Vida Simbólica (vol. XVIII/2); Vozes; Petrópolis; 2000; pág. 191.
[3] Ibidem; pág. 192.
[4] DURANT, Will; A História da Filosofia; Record; Rio de Janeiro; pág. 213.
[5] Cf. ibidem; pág. 214. ou KANT; Crítica da Razão Prática; Edições 70; Lisboa; pág. 23.
[6] JUNG, Carl Gustav; Psicologia da Religião Ocidental e Oriental(vol. XI); Vozes; Petrópolis; 1983; pág. 77.
[7] JUNG; A Vida Simbólica; pág. 194.
[8] Ibidem; pág. 428.
[9] Conf. JUNG; A Prática da Psicoterapia; Vozes; Petrópolis; 1985; pág. 07.: “O melhor que o médico pode fazer nesses casos é dispensar todo seu equipamento de métodos e teorias e confiar, velando unicamente por sua personalidade para que ela tenha firmeza suficiente para servir de ponto de referência ao paciente.” (grifo nosso)
[10] Ibidem; pág. 71.
Saturday, November 12, 2005
A PSICOLOGIA JUNGUIANA É IMORAL?
Junguiano é tudo burro! E você, de bate-pronto, pergunta muito justamente: “- E eu com isso?” Interessa saber o que é “bondade”ou “ser bom”, e, por contraposição, “maldade” ou “ser mal”, não interessa? Conhecer o “como devo agir”, pois não? Entender que bicho é esse a que chamam de “Moral”, correto? Atinar com a “Lei do Gérson”, que é ser “ispierto” e gostar de levar vantagem em tudo, “cierto”? E o que isto tudo tem a ver com os junguianos serem asnos?
Explico-me. Fui a um congresso dos psico-jumentos brasileiros, por gostar muito do velhinho Jung, e lá vou eu, todo alegrinho, assistir a uma palestra cujo título era alguma coisa como “Ética e Terapia”. Quão grande não foi minha surpresa ao notar que, orador, após orador, fazia meu ouvido de penico, insistindo que “ser moral é procurar a própria felicidade”! Paulo Coelho não poderia ter sido mais agradável a uma platéia tão sequiosa de afagos nos egos! O que poderia ser mais cômodo, para espíritos preguiçosos, do que a identidade entre a satisfação dos desejos e a Moral?
Coitadinhos! Sendo exclusivamente Médicos ou Psicólogos, condição sine qua non para a formação junguiana BRASILEIRA, e muito ao contrário do estudioso de Filosofia que lhes inspiram, eles possuem pouco ou nenhum conhecimento filosófico, confirmando a afirmação do próprio Jung[1] - “Que o médico nada tenha a dizer a respeito das últimas questões da alma é de todo compreensível”. Afinal, que pode dizer do espírito quem estudou tão-somente neurônios, condicionamento operante e cognição?
Assim, os fulaninhos, cometem dois gravíssimos enganos quando (erro número um) justificam a “eticidade da busca pela felicidade” com um hedonismo que descamba para uma inconfessada inconseqüência, ao mesmo tempo em que (falha dois) desconhecem que a ética não é subjetiva, antes, tratada como uma Teoria Moral, é determinação objetiva da vontade pela razão.
Traduzindo: a não tão subliminar identificação junguiano-brasileira, do “fazer o que der na telha” com liberdade, esconde a ignorância de que quando se tem a própria vontade submissa a princípios de prazer ou poder, na verdade, não se é livre de modo algum; se é mero escravo de instintos.
É claro que os junguianos teriam que ler Kant, o que, com certeza, não fizeram, para entender que[2] “A liberdade no sentido prático é a independência do arbítrio frente à coação dos impulsos da sensibilidade”; portanto, é a determinação da própria vontade, pela razão, independentemente do que ordenam os imaturos hormônios que, até em muitos patéticos adolescentes de setenta anos, estão sempre presentes. O velho ditado “pense duas vezes antes de agir uma” é uma boa tradução popular deste conhecimento.
A vontade, ou é, digamos, constrangida pela natureza ou pela razão, não havendo, aí, meio-termo. Ora, se a biologia, o inconsciente, o politicamente correto ou o que quer que seja, determinam como se vai agir, então, nesse caso, você pode se dizer livre?
Entretanto, se se procura encontrar princípios acessíveis à razão, válidos por todo lugar, e necessários (não podem ser senão desta forma e não outra), e se age por eles, está caracterizada a autonomia da vontade que por perceber a Lei Moral, move-se nela e por ela. Ou seja, a moralidade não “vem de fora”, não depende de hábitos ou costumes, antes, a razão, independente, dá a si mesma a Lei.
Existem estes princípios racionais pelos quais se deve pautar, indubitavelmente, o agir? Ora, ou existem e você e eu estamos subordinados a eles, ou não existem, e aí, temos passe livre para fazer tudo que “der na telha”, afinal, quem pode dizer o que está certo e o que está errado? Apenas normas sociais, válidas aqui e não mais acolá, embaraçam a total expressão dos desejos mais doidivanas. Não é mesmo?
Assim, razão, vontade, liberdade e Moral, estão profundissimamente relacionadas no que Kant chama de imperativos categóricos, cuja fórmula será[3] “devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal”. Exemplificando: “Máxima”, em uma tradução pouco convencional de Kant, poderia significar “mote”. Digamos que minha “máxima” seja – “vou mentir sempre!” Se isso valesse sempre e para todo mundo, a definição mesma de verdade estaria corrompida, uma vez que em um mundo de completa falsificação, jamais saberíamos quando fulano estaria mentindo ou quando sicrano estaria sendo sincero!
No nosso mundo real, onde, pelo menos, há o ideal da verdade, a mentira torna-se uma exceção ao princípio geral – de não mentir – que se faz em “benefício” próprio. Ou seja, concedemos uma “pequena”, “só desta vez”, ressalva à regra, pelo amor de si mesmo. Deste último, Kant faz questão de indicar que[4] “tal amor, aceite como princípio das nossas máximas, é precisamente a fonte de todo o mal.”
Não posso pensar em explicação melhor para descrever a atual situação política do pobre Brasil e, quiçá, de nossa própria vida pessoal...
Todavia, penso que já me estendi por demais, então se os junguianos não conseguirem enxergar a óbvia relação entre a Teoria Moral de Kant e a prática terapêutica de Jung, embora eu creia que tenha ficado mais que evidente, ficarei devendo uma pormenorizada observação para o próximo “post”.
____________________________________________________________
[1] JUNG, Carl Gustav; Psicologia da Religião Ocidental e Oriental (vol. XI); Petrópolis; Vozes; 1983; pág. 334.
[2] KANT, Immanuel; Crítica da Razão Pura; Lisboa; Calouste Gulbekian; 1997; pág. 463.
[3] KANT, Immanuel; Fundamentação da Metafísica dos Costumes (Coleção Os Pensadores); São Paulo; Editora Abril; 1974; pág. 209.
[4] KANT, Immanuel; A Religião nos Limites da Simples Razão; Lisboa; Edições 70; pág. 51.
Junguiano é tudo burro! E você, de bate-pronto, pergunta muito justamente: “- E eu com isso?” Interessa saber o que é “bondade”ou “ser bom”, e, por contraposição, “maldade” ou “ser mal”, não interessa? Conhecer o “como devo agir”, pois não? Entender que bicho é esse a que chamam de “Moral”, correto? Atinar com a “Lei do Gérson”, que é ser “ispierto” e gostar de levar vantagem em tudo, “cierto”? E o que isto tudo tem a ver com os junguianos serem asnos?
Explico-me. Fui a um congresso dos psico-jumentos brasileiros, por gostar muito do velhinho Jung, e lá vou eu, todo alegrinho, assistir a uma palestra cujo título era alguma coisa como “Ética e Terapia”. Quão grande não foi minha surpresa ao notar que, orador, após orador, fazia meu ouvido de penico, insistindo que “ser moral é procurar a própria felicidade”! Paulo Coelho não poderia ter sido mais agradável a uma platéia tão sequiosa de afagos nos egos! O que poderia ser mais cômodo, para espíritos preguiçosos, do que a identidade entre a satisfação dos desejos e a Moral?
Coitadinhos! Sendo exclusivamente Médicos ou Psicólogos, condição sine qua non para a formação junguiana BRASILEIRA, e muito ao contrário do estudioso de Filosofia que lhes inspiram, eles possuem pouco ou nenhum conhecimento filosófico, confirmando a afirmação do próprio Jung[1] - “Que o médico nada tenha a dizer a respeito das últimas questões da alma é de todo compreensível”. Afinal, que pode dizer do espírito quem estudou tão-somente neurônios, condicionamento operante e cognição?
Assim, os fulaninhos, cometem dois gravíssimos enganos quando (erro número um) justificam a “eticidade da busca pela felicidade” com um hedonismo que descamba para uma inconfessada inconseqüência, ao mesmo tempo em que (falha dois) desconhecem que a ética não é subjetiva, antes, tratada como uma Teoria Moral, é determinação objetiva da vontade pela razão.
Traduzindo: a não tão subliminar identificação junguiano-brasileira, do “fazer o que der na telha” com liberdade, esconde a ignorância de que quando se tem a própria vontade submissa a princípios de prazer ou poder, na verdade, não se é livre de modo algum; se é mero escravo de instintos.
É claro que os junguianos teriam que ler Kant, o que, com certeza, não fizeram, para entender que[2] “A liberdade no sentido prático é a independência do arbítrio frente à coação dos impulsos da sensibilidade”; portanto, é a determinação da própria vontade, pela razão, independentemente do que ordenam os imaturos hormônios que, até em muitos patéticos adolescentes de setenta anos, estão sempre presentes. O velho ditado “pense duas vezes antes de agir uma” é uma boa tradução popular deste conhecimento.
A vontade, ou é, digamos, constrangida pela natureza ou pela razão, não havendo, aí, meio-termo. Ora, se a biologia, o inconsciente, o politicamente correto ou o que quer que seja, determinam como se vai agir, então, nesse caso, você pode se dizer livre?
Entretanto, se se procura encontrar princípios acessíveis à razão, válidos por todo lugar, e necessários (não podem ser senão desta forma e não outra), e se age por eles, está caracterizada a autonomia da vontade que por perceber a Lei Moral, move-se nela e por ela. Ou seja, a moralidade não “vem de fora”, não depende de hábitos ou costumes, antes, a razão, independente, dá a si mesma a Lei.
Existem estes princípios racionais pelos quais se deve pautar, indubitavelmente, o agir? Ora, ou existem e você e eu estamos subordinados a eles, ou não existem, e aí, temos passe livre para fazer tudo que “der na telha”, afinal, quem pode dizer o que está certo e o que está errado? Apenas normas sociais, válidas aqui e não mais acolá, embaraçam a total expressão dos desejos mais doidivanas. Não é mesmo?
Assim, razão, vontade, liberdade e Moral, estão profundissimamente relacionadas no que Kant chama de imperativos categóricos, cuja fórmula será[3] “devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal”. Exemplificando: “Máxima”, em uma tradução pouco convencional de Kant, poderia significar “mote”. Digamos que minha “máxima” seja – “vou mentir sempre!” Se isso valesse sempre e para todo mundo, a definição mesma de verdade estaria corrompida, uma vez que em um mundo de completa falsificação, jamais saberíamos quando fulano estaria mentindo ou quando sicrano estaria sendo sincero!
No nosso mundo real, onde, pelo menos, há o ideal da verdade, a mentira torna-se uma exceção ao princípio geral – de não mentir – que se faz em “benefício” próprio. Ou seja, concedemos uma “pequena”, “só desta vez”, ressalva à regra, pelo amor de si mesmo. Deste último, Kant faz questão de indicar que[4] “tal amor, aceite como princípio das nossas máximas, é precisamente a fonte de todo o mal.”
Não posso pensar em explicação melhor para descrever a atual situação política do pobre Brasil e, quiçá, de nossa própria vida pessoal...
Todavia, penso que já me estendi por demais, então se os junguianos não conseguirem enxergar a óbvia relação entre a Teoria Moral de Kant e a prática terapêutica de Jung, embora eu creia que tenha ficado mais que evidente, ficarei devendo uma pormenorizada observação para o próximo “post”.
____________________________________________________________
[1] JUNG, Carl Gustav; Psicologia da Religião Ocidental e Oriental (vol. XI); Petrópolis; Vozes; 1983; pág. 334.
[2] KANT, Immanuel; Crítica da Razão Pura; Lisboa; Calouste Gulbekian; 1997; pág. 463.
[3] KANT, Immanuel; Fundamentação da Metafísica dos Costumes (Coleção Os Pensadores); São Paulo; Editora Abril; 1974; pág. 209.
[4] KANT, Immanuel; A Religião nos Limites da Simples Razão; Lisboa; Edições 70; pág. 51.
Monday, November 07, 2005
“TUDO BEM?”
Você é falso? Se se dirige a mim, ou ao caixa do banco, ou a qualquer um, na sua polida impessoalidade de elevador, realmente quer ouvir a resposta? Está sinceramente interessado em minha indigência salarial; insatisfação política; desprazimento sexual; abandono filosófico; desilusão religiosa; engano amoroso; ou qualquer outra porcaria que te vai matar de tédio, uma vez que, seja sincero, sua preocupação real é com a própria felicidade? Tudo mais é um empecilho incômodo que deve, rapidamente, ser removido do seu caminho, não é mesmo?
É certo, também, que queremos todos ser um exemplo de politicamente correta consideração ao próximo. Queremos olhar no espelho com orgulho: Como sou bom! E muito mal disfarçamos nosso desejo para que os outros também notem: Como ele(a) é bom(boa)! E aí, até se pode forçar o ouvido a prestar atenção nas chorumelas alheias, enquanto o olho, desobediente, por sobre o ombro do outro, insiste em adivinhar o resultado do jogão na tv mais próxima, ou o que acontece naquele instante na novela...
Quando alguém me pergunta “tudo bem?”, dá vontade de agarrar o(a) sujeito(a) pelo pescoço e forçá-lo a perder horas a fio escutando a minha estória... Mesmo que eu não tenha uma! Desejar que se tenha um bom dia, boa tarde, ou boa noite é uma coisa. Vale até ficar contente em ver alguém e dizer em alto e entusiasmado bom som: “Que bom te ver!”. Ou até um mais tímido “oi”! Mas, vir com cinismo pra cima de moi, fingindo interesse, com um tão falso quanto ridículo “Tudo bem?” é outra, e de muito mau gosto por sinal!
Então fica combinado assim, já que sei que você é inteligente e compassivo(a): se me encontrar na rua, fala qualquer coisa, mas guarda o “Tudo bem?” lá pras tuas negas, ok?
Você é falso? Se se dirige a mim, ou ao caixa do banco, ou a qualquer um, na sua polida impessoalidade de elevador, realmente quer ouvir a resposta? Está sinceramente interessado em minha indigência salarial; insatisfação política; desprazimento sexual; abandono filosófico; desilusão religiosa; engano amoroso; ou qualquer outra porcaria que te vai matar de tédio, uma vez que, seja sincero, sua preocupação real é com a própria felicidade? Tudo mais é um empecilho incômodo que deve, rapidamente, ser removido do seu caminho, não é mesmo?
É certo, também, que queremos todos ser um exemplo de politicamente correta consideração ao próximo. Queremos olhar no espelho com orgulho: Como sou bom! E muito mal disfarçamos nosso desejo para que os outros também notem: Como ele(a) é bom(boa)! E aí, até se pode forçar o ouvido a prestar atenção nas chorumelas alheias, enquanto o olho, desobediente, por sobre o ombro do outro, insiste em adivinhar o resultado do jogão na tv mais próxima, ou o que acontece naquele instante na novela...
Quando alguém me pergunta “tudo bem?”, dá vontade de agarrar o(a) sujeito(a) pelo pescoço e forçá-lo a perder horas a fio escutando a minha estória... Mesmo que eu não tenha uma! Desejar que se tenha um bom dia, boa tarde, ou boa noite é uma coisa. Vale até ficar contente em ver alguém e dizer em alto e entusiasmado bom som: “Que bom te ver!”. Ou até um mais tímido “oi”! Mas, vir com cinismo pra cima de moi, fingindo interesse, com um tão falso quanto ridículo “Tudo bem?” é outra, e de muito mau gosto por sinal!
Então fica combinado assim, já que sei que você é inteligente e compassivo(a): se me encontrar na rua, fala qualquer coisa, mas guarda o “Tudo bem?” lá pras tuas negas, ok?
Wednesday, November 02, 2005
PROVOCAÇÕES:
"Ah! A beleza burra da juventude..."
(Anônimo)
“Entre os saxões, a mulher adúltera era pendurada e queimada viva. Os egípcios cortavam-lhe o nariz. Os romanos, pela lei Júlia, cortavam-lhe a cabeça. Atualmente, quando uma mulher é surpreendida em adultério, ridiculariza-se o marido.”
(Alphonse Karr)
“A etiqueta é tudo que sobra quando formas mais respeitáveis de autoridade entram em colapso. Quando a substância é execrável, só nos resta cuidar da forma.”
(P.J. O’Rourke)
“Agora, porém, aquele que tem uma bolsa tome-a, como também aquele que tem um alforje; e quem não tiver uma espada, venda a veste para comprar uma.”
(Jesus, O Cristo – Lc, 22:36)
“E combatei, pela causa de Deus, os que vos combatem. Mas não sejais os primeiros a agredir. Deus não ama os agressores.”
(Maomé, sura 2:190 )
“A primeira humildade que o homem deveria ter é que não passa de um tubinho processador de merda!”
(Arnaldo Jabor)
“O homem não se torna iluminado pela contemplação de figuras de luz, antes, pela observação da própria escuridão.”
(C.G. Jung)
“O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual de benesses; o do socialismo é a distribuição por igual das misérias.”
(Winston Churchill)
“Este governo não rouba nem deixa roubar!!!”
(Lula)
"O direito de propriedade é o direito ao lucro e ao controle. Definindo-se as vantagens de classe segundo esse direito, os Estados comunistas terão visto, em última análise, a origem de uma nova forma de propriedade ou de uma nova classe governante e exploradora."
(Milovan Djilas)
"Ah! A beleza burra da juventude..."
(Anônimo)
“Entre os saxões, a mulher adúltera era pendurada e queimada viva. Os egípcios cortavam-lhe o nariz. Os romanos, pela lei Júlia, cortavam-lhe a cabeça. Atualmente, quando uma mulher é surpreendida em adultério, ridiculariza-se o marido.”
(Alphonse Karr)
“A etiqueta é tudo que sobra quando formas mais respeitáveis de autoridade entram em colapso. Quando a substância é execrável, só nos resta cuidar da forma.”
(P.J. O’Rourke)
“Agora, porém, aquele que tem uma bolsa tome-a, como também aquele que tem um alforje; e quem não tiver uma espada, venda a veste para comprar uma.”
(Jesus, O Cristo – Lc, 22:36)
“E combatei, pela causa de Deus, os que vos combatem. Mas não sejais os primeiros a agredir. Deus não ama os agressores.”
(Maomé, sura 2:190 )
“A primeira humildade que o homem deveria ter é que não passa de um tubinho processador de merda!”
(Arnaldo Jabor)
“O homem não se torna iluminado pela contemplação de figuras de luz, antes, pela observação da própria escuridão.”
(C.G. Jung)
“O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual de benesses; o do socialismo é a distribuição por igual das misérias.”
(Winston Churchill)
“Este governo não rouba nem deixa roubar!!!”
(Lula)
"O direito de propriedade é o direito ao lucro e ao controle. Definindo-se as vantagens de classe segundo esse direito, os Estados comunistas terão visto, em última análise, a origem de uma nova forma de propriedade ou de uma nova classe governante e exploradora."
(Milovan Djilas)
Tuesday, November 01, 2005
HUMILDADE DÁ IBOPE???
Foi uma surpresa quando selecionei "Dono da Verdade" como um nome, nada pretensioso para o meu blog, e foi aceito! Que será que isso quer dizer, uma vez que, na rede, bilhões de opiniões pululam por milhões de blogs? Por que ninguém ousou chamar ao seu de "Dono da Verdade"? É muito arrogante? Denota falta de elegante humildade? Precisa-se ser um tolo ingênuo ou um fanático religioso, para acreditar nesta coisa chamada "Verdade"?
Primeiramente, vocês hão de concordar que o tal título é divertidamente provocativo e, ademais, há que existir um ser chamado "Verdade", pois a alternativa é por demais assustadora:
Se minha opinião vale tanto quanto a sua, e são ambas contraditórias, uma anularia a outra - não haveria "verdade" - um critério objetivo, válido para nós dois, independentemente de assim o aceitarmos. Se não há "Verdade", como determinar o agir pessoal? Pelo Princípio do Prazer? E o agir coletivo? Pelo Princípio do Poder? Os dólares nas cuecas; os Land Rovers; os saques dos deputados petistas nas constas do "valerioduto"; a excessiva boa vontade monetária dos empresários para com o irmão e o filho do supremo apedeuta; a cafetina Jeany Mary Corner, e quejandos, bem mostram que não é por aí...
Verdade é a concordância do pensamento com a realidade objetiva, rezam os manuais de filosofia; o que não explica nem diminui o problema nem um pouquinho... Entretanto, já é grande coisa sabê-la como uma instância não completamente determinada pelos estreitos limites do meu desejo. Percebê-la como um algo, também, "fora" de mim, implica trabalho árduo, pesquisa incansável, vivências doloridas, além de uma desconfortável submissão à infidável busca e seus resultados...
Já o psicólogo Carl Gustav Jung, insistia em se viver, até o fim, seu mito pessoal; o que não significa fazer o que "der na telha", sem se incomodar com nada, nem com ninguém. Porém não se entenda o contrário, que se deve assumir algum código social "ético", como seu, e seguí-lo à risca. E daí vem o trabalho, já que se trata de descobrir - e não, não tenho a resposta final, apenas pistas - em que consiste a moralidade afinal! Talvez, Albert Camus, em seu "O Homem Revoltado" nos dê em que pensar, o que se traduz em um bom começo de caminho do que procurar e do que evitar:
“Na falta de um valor mais alto que oriente a ação, dirigir-se-á para a eficácia imediata. Se nada é verdadeiro nem falso, bom ou mau, a regra será mostrar-se o mais eficaz, quer dizer, o mais forte. O mundo não estará mais dividido em justos e injustos, mas em senhores e escravos.”
Sendo assim, começo este blog para afirmar minha busca e profissão de fé, o que quer que isto signifique, para partilhar com vocês o meu mito, que é o da possibilidade da VERDADE!
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